Painel das Letras

por Josélia Aguiar

 

Os dez mais, por Cristovão Tezza

Cristovão Tezza é conhecido por quem acompanha a ficção brasileira desde a década de 1980, por livros como “Trapo”. Sua trajetória como ficcionista seguia curso razoavalmente tranquilo até publicar, em 2007, “O Filho Eterno”, com o qual recebeu todos os principais prêmios literários do país. O autor catarinense, radicado em Curitiba, pôde encerrar a carreira de professor universitário para dedicar-se apenas à literatura.  Sua obra mais recente é “Um erro emocional”, do ano passado.

Tezza é o primeiro, entre ficcionistas e poetas brasileiros, de quem publico, aqui, os “dez livros” que compõem sua estante afetiva.

A pergunta nada tem de simples: entre os cerca de cem autores que me responderam desde que iniciei esse projeto em 2008, as ressalvas foram tantas quantas as respostas.  E já que todos fizeram as suas, também faço a minha: a ideia não é constituir um cânone que, como qualquer outro, parecerá definitivo e pretensioso, até porque as opiniões podem mudar, e vão mudar, mas tão só contribuir para que autores e leitores identifiquem suas afinidades eletivas, ao menos por ora.

Esta é, como diz Tezza, sua lista "lítero-afetiva" de dez livros que marcaram diferentes épocas de sua vida.

"A Chave do Tamanho", de Monteiro Lobato
"Lord Jim", de Joseph Conrad
"Angústia", de Graciliano Ramos
"Os Irmãos Karamázov", de F. Dostoiévski
"Antologia Poética", de Carlos Drummond de Andrade
"O Estrangeiro", de Albert Camus
"Cem Anos de Solidão", de Gabriel García Márquez
"Luz em Agosto", de William Faulkner
"O Senhor das Moscas", de William Golding
"Desonra", de J. M. Coetzee

A imagem acima é de Alex Dukal,  recolhida pelo blog O Silêncio dos Livros, um arquivo gigante com desenhos, pinturas, fotografias, de anônimos e famosos, com livros na mão ou em volta de livros. 

Escrito por Josélia Aguiar às 21h31

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Histórias de Livros: O Gráfico Amador

Um livro como obra de arte é inevitavelmente de luxo? Para quatro rapazes do Recife do final dos anos 1950, era, sim, possível fazer belas edições, "arte de vanguarda", como queriam, numa gráfica praticamente caseira, com baixo custo. Esse é um dos assuntos da coluna “Painel das Letras” de hoje (leia aqui, se assinante do UOL ou da Folha).

Antes, é preciso explicar: o “amador” do título quer dizer “amante”, “entusiasta”, e não “diletante” ou “mambembe”.

De 1954 a 1961, o Gráfico Amador fez livros artesanais, em pequenas tiragens, para, entre outros, João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Morais, Brennand, Ariano Suassuna. O grupo de “editores-artesãos” era formado por Aloisio Magalhães, que se tornaria um dos principais nomes do design brasileiro nas décadas seguintes, Gastão Holanda, José Laurênio de Melo e Orlando da Costa Ferreira.

A história desse movimento pernambucano é contada em “O Gráfico Amador: As Origens da Moderna Tipografia Brasileira”, de Guilherme Cunha Lima, resultado de sua tese de doutorado. As obras editadas pelo Gráfico Amador são "raríssimas e nunca foram publicadas na íntegra”, explica Valéria Lamego, fundadora da editora carioca Verso Brasil, que organiza até novembro a reedição do livro de Cunha Lima, pela primeira vez com reprodução de todas as publicações. “Não há biblioteca particular ou pública que mantenha uma coleção completa delas”, diz.

Por sua concepção e produção, a pequena editora pernambucana destoava do que predominava no eixo Rio de Janeiro-São Paulo na época, como escreveu o historiador Emanuel Araújo, autor do clássico “A construção do livro”. Os rapazes romperam, segundo ele, a "corrente de mediocridade", ao criar uma editora que seguia a melhor tradição das "private presses" inglesas: a Kelmscott de William Morris, a Gregynog das irmãs Gwendoline e Margaret Davies.

*

Na Bahia, em 1957, com propósito bem parecido e alcance possivelmente menor, o cineasta Glauber Rocha, o gravador Calasans Neto, o poeta Fernando da Rocha Peres e o jornalista Pedro Gil Soares fundaram a Edições Macunaíma. Prometo contar depois essa história aqui.


Atualização em 13/02/2011: Lúcia Gaspar, bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco, escreve sobre O Gráfico Amador, em artigo que inclui títulos e tiragens do ateliê (aqui). Dica da tradutora Denise Bottmann, que edita o blog Não Gosto de Plágio.

 

Na imagem acima, ilustração de Aloisio Magalhães para João Cabral de Melo Neto.

"Histórias de Livros" é uma seção que tratará da biografia dos livros: sua produção, circulação, desaparecimento ou reedições, efeito na vida do autor e de sua sociedade.

 

Escrito por Josélia Aguiar às 10h57

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O mundo vai ler mais livros em inglês?


Quando entrevistei Mike Shatzkin para a estreia da coluna “Painel das Letras” (leia aqui, se assinante do UOL ou da Folha), ele me contou que, no debate sobre o livro do futuro, uma das hipóteses é a provável expansão do número de leitores em todo o mundo que vão comprar livros em inglês.  

Essa é a principal história de hoje da “Publishing Perspectives” (leia aqui, em inglês), que entrevistou participantes do Digital Book World, evento organizado por Shatzkin e realizado em Nova York na última semana de janeiro.

Um dos entrevistados, David Steinberger, presidente e publisher do grupo Perseus, concorda que tal crescimento será resultado da oferta maior de e-books em inglês, velocidade que outros países não acompanham. Porém, na mesma reportagem, mais adiante, editores da Espanha e de países da América Latina que pedem para não ser identificados argumentam que acreditar nessa hipótese denota a arrogância anglo-americana, pois nem todos que podem ler em inglês vão preferir fazê-lo.

E os editores franceses? Alguém perguntou para eles? Pois é: a questão é bem mais ampla; envolve complexas identidades e rivalidades culturais.

Mike Shatzkin volta ao tema da venda de e-books em inglês numa coluna publicada ontem no "Publishnews" (aqui, já em português).

*

Procuro números globais e mais precisos sobre vendas de e-books no mundo. Se alguém tiver contribuições, por favor fique à vontade. Não é tão fácil. Editoras, aqui e lá fora, nem sempre divulgam essas informações. Se dizem que investem pouco, temem parecer “atrasadas”. Se contam que vendem muito, receiam “despertar a concorrência”. Publicações entusiastas do mundo digital estimam números com mais generosidade. Na conversa com editores daqui, eles parecem mais cautelosos.

Em tempo: vídeos das conferências do Digital Book World estão disponíveis aqui, para quem quiser assistir, durante esta semana.

Escrito por Josélia Aguiar às 08h53

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Na Flip, o crítico literário Franco Moretti

O italiano Franco Moretti, um dos mais respeitados críticos literários em atividade, é outro convidado da próxima Flip, em julho, segundo apurou a coluna "Painel das Letras".

Moretti é autor, entre outros, da coletânea “A Cultura do Romance”, publicada pela  CosacNaify (tradução de Denise Bottmann, 1.120 páginas, R$ 130). Da escola marxista, Moretti lecionou na Universidade Columbia e é hoje professor de literatura na Universidade Stanford, nos EUA. Colabora com, entre outras, a “New Left Review”.

A coletânea “A Cultura do Romance”, primeira de cinco partes, reúne artigos de nomes como Fredric Jameson, Umberto Eco, Mario Vargas Llosa, Beatriz Sarlo e Roberto Schwarz.

Assinantes do UOL e da Folha leem mais sobre Moretti aqui e aqui.

Escrito por Josélia Aguiar às 22h24

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Jos�lia Aguiar Josélia Aguiar é jornalista, especializada na cobertura de livros. Assina a coluna Painel das Letras, publicada aos sábados no caderno "Ilustrada".


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