
Não é só João Gilberto que tem um (suposto?) impostor no Facebook capaz de convencer até os amigos reais (aqui, reportagem da "Ilustrada" tratou disso ontem).
Escritores de diversos países têm sido representados no Facebook pelo mesmo embusteiro: Tommaso Debenedetti, 42 anos, professor de italiano e história do ensino médio.
Sua vítima mais recente é Vargas Llosa. Depois que intelectuais kirchneristas pediram que Llosa fosse "desconvidado" da Feira do Livro de Buenos Aires (trato disso neste post), o escritor peruano teve de desmentir que tivesse respondido aos argentinos por meio de seu perfil no Facebook. “Jamais tive página no Facebook e jamais terei”, explicou Llosa. Antes, vários veículos acreditaram no impostor.
Debenedetti não encarna apenas Llosa no mundo virtual. Entre os autores "homenageados" _"prejudicados" talvez seja a melhor palavra, já que ele tenta se fazer passar pelo autor, e não apenas atua como fã_ , encontram-se Umberto Eco, Philip Roth, Andrea Camilleri.
A história de imposturas de Debenedetti é antiga: durante uma década, ele publicou na imprensa italiana entrevistas falsas com grandes autores internacionais. Foi descoberto por Roth, a quem entrevistou “falsamente” cinco vezes.
Li a história no "El País" de hoje (aqui, em espanhol).
Escrito por Josélia Aguiar às 10h58

Para quem passou todo o dia fora da internet e ainda não viu: o iPad 2, fabricado pela Apple, foi apresentado hoje por seu dono, Steve Jobs, em San Francisco, EUA. A presença de Jobs não era certa, pois estava doente e, segundo boatos, a coisa era grave.
Mais fino e mais leve, com câmera embutida, o novo iPad é duas vezes mais rápido que o modelo anterior e começa a ser vendido por US$ 499 nos Estados Unidos em 11 de março. Chega a 26 outros países a partir do dia 25 do mesmo mês (o Brasil ainda não está incluído).
No site da "Reuters" (aqui, em inglês), há um relato completo do evento e mais imagens do "tablet". No Brasil, o preço do iPad antigo já começa a cair, informam vários sites especializados em tecnologia.
Escrito por Josélia Aguiar às 18h55

Conhecido por sua fineza –de figurino e modos-, o peruano Mario Vargas Llosa é hoje pivô de um trama que nada tem de elegante.
Há poucos dias, parte da imprensa argentina anunciava com certa fanfarra a confirmação da presença de Llosa, o mais recente Nobel de Literatura, na abertura da 37a Feira do Livro de Buenos Aires, que ocorre em abril.
Agora, parte dos escritores e intelectuais argentinos –ligados em sua maioria ao kirchnerismo-- protesta contra o convite e pede que ele seja desconvidado. Há décadas, Llosa é alvo de críticas de parcela da esquerda por sua adesão ao liberalismo. No caso específico da Argentina, repercutiram bastante críticas duras que ele fez ao governo de Cristina Kirchner.
O bafafá que se espalha desde ontem alcança rapidamente jornais, sites e redes sociais de língua espanhola.
O tema é discutido por argentinos via Twitter. E no Facebook, na última madrugada, foi criada a página “Não a Mario Vargas Llosa na Feira do Livro”. Até agora, só 11 pessoas “curtiram” a causa.
Um dos principais porta-vozes do movimento anti-Llosa no evento é Horacio González, diretor da Biblioteca Nacional argentina, que recebeu ontem um pedido da própria presidente do país para que, em nome da democracia, desista da polêmica.
Ao jornal espanhol “ABC”, a mulher de Llosa, Patricia, desmente que ele tenha respondido o que quer que seja por meio do Facebook, boato que se espalhara pouco antes (aqui, em espanhol)
No argentino “La Nacion”, escritores divergem sobre a polêmica (aqui, em espanhol).
Acima, Llosa é homenageado em Lima, em 23 de fevereiro
Foto: Paolo Aguiar/Efe
Escrito por Josélia Aguiar às 11h21
Quantos anos tem o e-book? Um, dois, três anos? Para o geek polonês Piotr Kowalczyk, essa história começa há 40 anos. Pela cronologia que traçou, a primeira data não é, como se poderia esperar, a do lançamento do Kindle, da Amazon, que torna o formato mais popular, mas a do começo do Projeto Gutenberg, que coloca na web desde 1971 grandes obras internacionais já em domínio público.
Kowalczyk fez o infográfico abaixo e o publicou no seu blog, o “Pasword Incorrect” (aqui, para ver o gráfico em tamanho maior, com mais visibilidade). O blog é escrito em polonês, mas o post e a cronologia estão em inglês, assim como as fontes de sua pesquisa citadas no pé.

Encontrei o blog de Kowalczyk num texto do site "Teleread" (aqui, em inglês), que publica notícias variadas sobre o mundo digital.
Escrito por Josélia Aguiar às 15h30
A "Alice para iPad" faz já um ano. A adaptação do clássico de Lewis Carroll em 52 páginas e 20 cenas animadas fora desenvolvida pela empresa Atomic Antelope e serviu para mostrar a leitores de todo o mundo, no começo de 2010, as possibilidades narrativas do próprio formato e-book. Quem ainda não viu pode encontrar uma rápida apresentação aqui.
A versão interativa do "Martín Fierro" é agora lançada pela tradicional editora Emecé no mercado hispano-hablante.
Encontrei no youtube uma longa --muito longa!-- apresentação, em oito partes, da versão multimídia dessa que é considerada a "obra nacional" dos argentinos, escrita por José Hernández no século 19. Começa aqui, em espanhol, e se quiser ver logo o livro, pule para as últimas partes.

Na comparação com a "Alice", o "Martín Fierro" está ainda muito preso ao formato multimídia que já conhecemos.
Ou talvez, numa obra para adultos, exista um limite tácito para os recursos de animação. Será?
Acima, capa do "Martín Fierro" interativo: nada moderna, Emecé!
Escrito por Josélia Aguiar às 11h10
Leio no britânico “Guardian” (aqui, em inglês) que livros antes censurados no Egito e na Tunísia já começam a voltar às livrarias depois da queda recente de seus ditadores. São, em sua maioria, obras de teor político (neste post, comentei sobre a expectativa de maior liberdade editorial que começava a animar editores e autores).
No Egito, uma feira de livros será realizada entre o final de março e o começo de abril, na mesma praça Tahrir onde se concentraram as manifestações que levaram à queda do regime de três décadas de Hosni Mubarak. Por causa da crise política, a Feira do Livro do Cairo, a mais importante do mundo árabe, fora cancelada no começo de fevereiro. A cada vez que o evento se realizava, não era incomum que ocorressem episódios de censura a obras, consideradas subversivas ou indecentes pelo governo de Mubarak.
Escrito por Josélia Aguiar às 23h09
Moacyr Scliar respondeu ao email-questionário sobre os “dez mais” em 5 de março de 2008. Desde que comecei a publicar no blog as respostas de ficcionistas e poetas, consulto-os antes, e um dos motivos é saber se mudaram de opinião.
Não deu tempo de perguntar para ele se gostaria de alterar a lista. Se não estivesse no hospital, inconsciente, tenho certeza de que me responderia com a rapidez e a gentileza de sempre.
Scliar respondia rapida e gentilmente a entrevistas, de qualquer veículo, sem pensar se era de pequeno ou grande porte; distribuía elogios em orelhas de livros para quem o pedisse (mais de uma vez, ouvi escritores comparando-o a Jorge Amado, de quem era amigo, justamente por essa generosidade); e apesar de doar tanto tempo para os outros, era prolífico, escrevia crônicas e resenhas para o dia-a-dia, o que não o impedia de fazer seus livros, mais de sete dezenas de obras.
Eis sua estante afetiva, um misto de escritores de ascendência judaica, gaúcha e nordestina.
“O Alienista” - Machado de Assis
“A Metamorfose” - Franz Kafka
“ O Exército de Cavalaria” - Isaac Babel
“Laços de Família” - Clarice Lispector
“Caminhos Cruzados” - Érico Veríssimo
“A Educação pela Pedra” - João Cabral de Melo Neto
“Macbeth” - William Shakespeare
“Alice no País das Maravilhas” - Lewis Carroll
“Contos Gauchescos e Lendas do Sul” - J. Simões Lopes Neto
“Tenda dos Milagres” - Jorge Amado
Leia os "dez mais" de Milton Hatoum, Thiago de Mello, Francisco Alvim e Cristovão Tezza.
Escrito por Josélia Aguiar às 15h41
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