Painel das Letras

por Josélia Aguiar

 

Histórias de Livros: O Arco do Cego

José Mariano da Conceição Veloso (1741-1811), franciscano e naturalista mineiro, é desconhecido dos leitores. Sua importância pode ser medida pelo peso das duas instituições ligadas ao livro, a Biblioteca Nacional (RJ) e a Brasiliana-USP, que se preparam para realizar ao mesmo tempo – e sem saber uma da outra até agora -- eventos na passagem do bicentenário de sua morte. Esse é um dos assuntos da coluna “Painel das Letras” de hoje (aqui, se assinante da Folha ou do UOL). Após o fechamento da edição, tive notícias de que também o Jardim Botânico do Rio de Janeiro planeja eventos em homenagem ao naturalista.


Frei Veloso foi o editor do Arco do Cego, uma casa editorial que publicou uma espécie de enciclopédia portuguesa: quase uma centena de livros, apesar do curto período (1799-1801) de funcionamento.

“Pode-se considerar Veloso como um pioneiro da indústria do livro no Brasil, pois, embora a editora funcionasse em Lisboa, estava voltada especialmente para o desenvolvimento da então colônia”, afirma o historiador Aníbal Bragança, professor na Universidade Federal Fluminense, que participará dos eventos no RJ. 

Em sua tipografia que era bastante moderna para a época, Frei Veloso lançou em língua portuguesa o que havia de mais recente na Europa. Por ela saíram inúmeras traduções de obras francesas e inglesas. São principalmente livros de história natural aplicada, manuais de ensino de matemática, náutica, gravura, poesia e filosofia. “É quando Portugal assume o papel de incentivador da economia“, diz o historiador Pedro Puntoni, diretor da Brasiliana-USP, constituída a partir da doação do acervo do casal José e Guita Mindlin. Dona da mais completa coleção de livros do Arco do Cego _nem mesmo em Portugal há acervo tão numeroso_, a Brasiliana-USP coloca todos os volumes on-line até o final do ano.

Para saber mais:

De Aníbal Bragança, leia aqui “Arco do Cego e Impressão Régia (Lisboa e Rio de Janeiro): sobre rupturas e continuidades na implantação da imprensa no Brasil”

De Lorelay Curi, leia aqui "A Tipografia do Arco do Cego: Frei Veloso enciclopedista"


 

Escrito por Josélia Aguiar às 20h15

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O cheiro dos livros

Rachael Morrison, artista que também faz parte da equipe de bibliotecários do MoMA, o Museu de Arte Moderna de Nova York, transformou em performance artística aquilo que todo bom leitor costuma fazer na intimidade: cheirar livros.

 

Sua performance se chama “Smelling the Books” (“Cheirando os Livros”) e pretende colocar em questão, entre outros temas, o futuro do livro e os mecanismos da memória. 

O projeto começou faz um ano, quando Rachael enfiou o nariz nas páginas de “Sermons by Artists”, cujo número é AC5.S4, segundo o sistema de classificação da Biblioteca do Congresso americano. E se estende até o dia em que, por fim, sentir o olor do ZN3.R45, “Bibliography of the History of Art”.  A artista anota número, título e a descrição do cheiro de cada livro.

Até dezembro passado, ela cafungou 150 dos cerca de 300 mil volumes, informa reportagem publicada naquele mês pela "New York Times Magazine" (aqui, em inglês). 

Li sobre "Smelling The Books" no blog do MoMA (aqui, em inglês).

 

Acima, Rachael Morrison, em foto de Michael Schmelling

Escrito por Josélia Aguiar às 21h17

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Não julgue pelo título

“Julgue pelas capas” é o post que mostra como livros de má qualidade podem às vezes ser rapidamente deduzidos quando avistamos suas capas.

“Não julgue pelo título” é um teste-piada criado pela revista americana “Lapham´s Quaterly” para mostrar a diferença entre os primeiros títulos pensados por seus autores, os chamados "títulos de trabalho", e os finais, muitas vezes escolhidos pelos editores.

A lógica das duas frases ("Julgue pelas capas" e "Não julgue pelo título") só é oposta nos enunciados. Se comparar, os títulos finais quase sempre são uma tentativa de tornar mais inteligentes, ou menos óbvios, ou menos literais, os livros em questão.

No teste abaixo, fora da ordem, há os primeiros títulos pensados por seus autores e aqueles que consagraram o livro. Experimente relacionar letras e números correspondentes.


As respostas: 1-K, 2-H, 3-N, 4-S, 5-J, 6-R, 7-L, 8-B, 9-E, 10-P, 11-Q, 12-0, 13-C, 14-T, 15-D, 16-A, 17-G, 18-M, 19-F, 20-I

Por aqui, eu me lembro que “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, se chamaria “O Mundo Coberto de Penas”. Alguém aí se lembra de mais casos assim? 

 

Escrito por Josélia Aguiar às 15h56

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Jos�lia Aguiar Josélia Aguiar é jornalista, especializada na cobertura de livros. Assina a coluna Painel das Letras, publicada aos sábados no caderno "Ilustrada".


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