Painel das Letras

por Josélia Aguiar

 

Cohen, estranho no ninho? Nem tanto

Lobo Antunes era um dos 32 finalistas, lembravam ontem, em tom levemente premonitório, sites em língua portuguesa.

Na disputa, também havia Ian McEwan, para alguns o melhor entre os britânicos hoje, e a canadense Alice Munro, contista que, se ainda não descobriu, deve correr para ler.

Mas o Prêmio Príncipe de Astúrias, na categoria de letras, chegou há poucas horas para o roqueiro Leonard Cohen, 76 anos.

Estranho no ninho? Nem tanto. Antes de virar roqueiro cultuado, Cohen publicou romances e livros de poesia nas décadas de 1950 e 1960. E também faz tempo que a noção de literatura se ampliou, e não soa mais como blasfêmia que um letrista seja incluído entre literatos stricto sensu.

Cohen faz parte agora do mesmo panteão de Juan Rulfo (premiado em 1983), Vargas Llosa (1986) e Amós Oz (2007). O prêmio espanhol, é bom lembrar, tem lá suas surpresas e idiossincrasias. O “povo de Porto Rico” (1991), Arthur Miller (2002), best-seller, e Nélida Pinon (2005), brasileira, também já venceram.

E ai, roqueiros, contentes?

Para saber mais:

Leia a cobertura do jornal "El País" (aqui, em espanhol).

A "Ñ", do "Clarin", lembra a admiração que Cohen tem pelo poeta espanhol García Lorca (aqui, em espanhol)

Veja Cohen cantando "Dance Me To The End of Love" (aqui, num dos vários videos no youtube)

ATUALIZAÇÃO, às 16h

Encontrei uma foto do júri. Seriam roqueiros à paisana?

 Crédito: EFE/J.L. Cereijido

 

 

Escrito por Josélia Aguiar às 13h35

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Cizânias literárias: Theroux e Naipaul

 

Leio no "Guardian" (aqui, em inglês) que após 15 anos Paul Theroux deu um aperto de mãos em V. S. Naipaul. Durava três décadas a amizade, até o dia em que Naipaul vendeu por US$ 1.500 um exemplar autografado pelo amigoEstá tudo em "Sir Vidia´s Shadow: a friendship Across Five Continents", obra algo vingativa do americano-viajante, dizem os que a leram.

Livros com dedicatórias encontrados em sebos dão bem uma enciclopédia de afetos traídos.

A reverência --o que não significa que fizeram as pazes-- ocorreu no último fim-de-semana, durante o Hay Festival, festa literária britânica. Ao avistar Naipaul, Theroux perguntou o que fazer ao colega Ian McEwan, que estava ao lado. "A vida é curta. Você deve dizer olá", aconselhou McEwan.

Em tempo: Theroux está com livro novo na praça, "The Tao of Travel" (aqui, em inglês, resenha no "WSJ")

 

No blog The Book Bench, da "New Yorker", veja a cena do cumprimento (aqui, com texto em inglês a respeito da treta)

No "The Times", há uma história da briga, que envolve, antes do livro vendido no sebo, uma cantada na mulher do amigo (aqui, em inglês, para assinantes)

 

Acima, Naipaul (à esq.) e Theroux, em foto pescada do "Guardian"

Escrito por Josélia Aguiar às 17h03

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Os portugueses leem os brasileiros 3

 

Portugal possui duas revistas de livros, “Os Meus Livros”, que visitei em Lisboa, e “Ler”.

 “Os Meus Livros” existe há nove anos, com intervalos – deixou de sair entre abril e novembro de 2009. Depois mudou de donos (antes, Entusiasmo Media, agora, CE Livrarias) e voltou a circular. A edição de julho será seu número 100. "Num país onde se publicam cerca de 15 mil livros por ano, é preciso fazer algum ‘garimpo’ para fazer chegar aos leitores as melhores sugestões”, afirma João Morales, diretor de redação. A revista é pioneira, e até agora única publicação a ter seção dedicada a obras infantojuvenis.

 

 


Na conversa sobre o que os portugueses leem dos brasileiros, as respostas de Morales confirmam o que li e escutei de editores e livreiros que conheci durante a visita à capital portuguesa.

"Penso que os portugueses não conhecem muita coisa da literatura brasileira dos dias de hoje. Os nomes mais lembrados são autores como Jorge Amado, Machado de Assis, Guimarães Rosa, especialmente entre acadêmicos ou estudiosos”, explica Morales.

Entre os contemporâneos, cita João Ubaldo Ribeiro, Luis Fernando Verissimo, Rubem Fonseca, Chico Buarque, Patrícia Melo, Ruy Castro. Diz que quando saiu “A Casa dos Budas Ditosos”, de Ubaldo, a polêmica provocada pelo livro fez aumentar a curiosidade dos leitores para conhecer a geração mais nova. Entre os contemporâneos, são lidos hoje João Paulo Cuenca e Arthur Dapieve.

Os que leem poesia já conhecem os irmãos Haroldo e Augusto de Campos, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, João Cabral de Melo Neto. “Uma editora portuguesa que já não existe, as Edições Quasi, lançou uma verdadeira pérola, a Ana Cristina César, poesia magnífica como muita influência do jazz e da beat generation”, elogia Morales.

Para visitar o site de "Os Meus Livros", vá até http://oml.com.pt

O blog está aqui: http://oml.com.pt/blogs 

Escrito por Josélia Aguiar às 09h56

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Jos�lia Aguiar Josélia Aguiar é jornalista, especializada na cobertura de livros. Assina a coluna Painel das Letras, publicada aos sábados no caderno "Ilustrada".


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