Painel das Letras

por Josélia Aguiar

 

Literatura e gênero: Naipaul é cafona?

Sempre resisti ao tema "literatura e gênero". Na época em que editava a extinta "EntreLivros", a pauta às vezes era sugerida por alguém, para reportagem ou até mesmo capa de edição, e o meu voto ia invariavelmente para outra ideia. Um dia chega a hora de fazer reportagem sobre o assunto. Saiu na edição de hoje da Ilustrada e a reproduzo abaixo.

Por sorte, hoje existe internet e a gente pode pôr ao menos a íntegra de algumas conversas, aquelas respondidas por escrito (outra parte se deu por telefone).

Digo "por sorte" porque depois que deixei de ser só jornalista e enveredei pela pesquisa acadêmica às vezes me angustio bastante quando não posso incluir notas de rodapé (e não é piada!).

Esse é um daqueles temas que, se não se tem como explicar direito, dando ao menos uma medida de sua complexidade, é melhor não tratar.

Procurei outras pesquisadoras importantes, em universidades de vários pontos do país, mas infelizmente não consegui ouvi-las. Deadline = prazo final de qualificação ou defesa. Se quiser pesquisar mais sobre o assunto, pode me escrever, para que possa indicar esses outros nomes.

 

Machismo de Naipaul faz rir, dizem críticas

JOSÉLIA AGUIAR
COLUNISTA DA FOLHA 

Há três décadas, uma frase como a de V.S. Naipaul, para quem é possível reconhecer o texto de uma mulher já no primeiro parágrafo, talvez incendiasse o circuito literário brasileiro.
O efeito, porém, foi o mesmo de uma biribinha.
Professoras e críticas procuradas pela Folha para comentar a declaração recente do Nobel de 2001 reagiram com risos, muxoxos e até leve indiferença.
"A coisa pegava fogo na década de 1980", recorda-se Heloisa Buarque de Hollanda, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e uma das mais ativas em júris e debates contemporâneos. "Existem hoje questões mais presentes no debate literário, como a literatura digital e a periferia", explica.
Isso não quer dizer que a temática feminina tenha desaparecido da obra de ficcionistas ou poetas. "Por parte de algumas autoras, é claro que há deliberada intenção de revelar a subjetividade da mulher. É o texto que quer ser assim identificado", ressalta Beatriz Resende (aqui, íntegra da entrevista), professora na UFRJ e na Unirio.
Os estudos de gênero também continuam a ser uma das linhas de força da crítica, como lembra Maria Esther Maciel (aqui, íntegra da entrevista), ficcionista, professora na UFMG e parte do atual júri do Prêmio Portugal Telecom. "Eles têm contribuído para a recuperação de escritoras ignoradas ou esquecidas ao longo dos séculos, bem como para a visibilidade de vozes literárias das chamadas minorias sexuais."
O que fez da declaração de Naipaul motivo mais de riso que de siso é a ideia de que há uma "literatura feminina" inescapável pelas autoras.
"O pensamento de Naipul é próximo ao de Rousseau no século 18", avalia Carla Rodrigues (aqui, íntegra da entrevista), doutora em filosofia, autora de "Coreografias do Feminino".
Sobre a polêmica de Naipaul, a crítica Leyla Perrone-Moisés diz que preferia lembrar o que disse Clarice Lispector: "Quando escrevo, não sou homem nem mulher, sou homem e mulher". Como prova, acrescenta a professora aposentada da USP, o narrador de "A Hora da Estrela" é um homem.

A reação das críticas literárias brasileiras é parecida com aquela ocorrida em Londres, na semana passada, quando Naipaul deu tal declaração.
"Estou fora dessa briga", respondeu à Folha a escritora e crítica Carmen Callil, a mesma que, semanas atrás, se retirou do júri que concedeu o Man Booker Prize internacional ao escritor americano Philip Roth.
"E minha decisão sobre Roth não tem a ver com feminismo", repetiu Callil, que fundou a editora feminista Virago em Londres em 1973.
Prêmios como o britânico Orange Prize, dedicado apenas a autoras e cujo resultado saiu na última quinta, não reforçam o preconceito? "Prêmios como esse são tentativas de lembrar às pessoas quais são as condições do mercado", explica John Freeman, editor da Granta, revista literária cujo número atual é todo dedicado a mulheres.
"Nas páginas culturais, onde se levantam ou derrubam prestígios, homens aparecem mais que mulheres", explica.
Freeman acrescenta que "gêneros são rótulos convenientes e, às vezes, formas convenientes, apenas isso".


NOTA DO BLOG- Para os leitores que, como eu, nasceram na Bahia: "biribinha" é o mesmo que traque de massa. 

Escrito por Josélia Aguiar às 11h28

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Literatura e gênero: Luiz Ruffato

O levantamento pioneiro é de Nelly Novaes Coelho, hoje nonagenária, que levou mais de uma década para fazer seu "Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras", com 1.400 autoras que escreveram no Brasil a partir do século 19. Conversei com Nelly por telefone e, por questões de edição, esse tópico não saiu no jornal impresso. Quem quiser saber um pouco mais sobre esse projeto, há mais informações no site do Itaú Cultural (siga por aqui).


Na década passada, o escritor Luiz Ruffato organizou duas antologias com escritoras: "25 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira" (2005) e "Mais 30 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira" (2006), ambas pela Record. Abaixo, reproduzo trechos de nossa troca de e-mails, entrevista que também não tive como incluir no texto final.

A idéia -  Surgiu no começo do século 21 uma antologia "Geração 90", de Nelson de Oliveira, da qual participo, que lançou o "conceito" de geração 90. Acho que éramos dez autores, apenas uma mulher. Daí pra frente,a imprensa começou a falar da "geração 90", mas ressaltava a preponderância masculina. Eu, que acompanhava e acompanho de perto a produção literária brasileira, sabia que a proporção do que estava sendo publicado não era essa, mas, pelo contrário, havia mais mulheres que homens no cenário. Daí, fiz essas duas antologias, num total de 55 mulheres, que era uma espécie de provocação: se formos falar em geração 90, não podemos esquecer de citar as mulheres. Agora, importante: em nenhum dos dois livros a literatura produzida pelas mulheres é tratada como literatura feminina. Homens e mulheres, na minha opinião, fazem Literatura.

O processo -  Tive um trabalho enorme para conseguir iniciar o mapeamento das autoras, porque queria representantes de todas as partes do Brasil. Mas, depois que comecei a pesquisa, eram tantos os nomes que o difícil foi me limitar às 25 inicialmente pensadas. Tanto que fiz um segundo volume, com mais 30 nomes.

Houve resistência das autoras? -Não, nenhuma, inclusive porque o conceito das antologias ficou bem claro para todas as autoras,que não se tratava de um livro de gênero.

Olhar feminino - Acho que é evidente que se trata de uma visão de mundo que possui suas peculiaridades. A mim no entanto não importa se se trata de uma mulher ou de um homem, mas se se trata de boa ou má literatura.

O primeiro post é este.

Escrito por Josélia Aguiar às 11h26

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Literatura e gênero: Carla Rodrigues

 

Publico aqui algumas das entrevistas, aquelas respondidas por escrito, relacionadas à reportagem de hoje na Ilustrada.

Carla Rodrigues é doutora em Filosofia, escritora, jornalista, autora de, entre outros livros, "Coreografias do Feminino" (Editora Mulheres). Agradeço a Carla, ótima pesquisadora, muitas indicações importantes de pessoas e rumos a tomar.

Literatura e gênero - Existe uma resposta mais ou menos padrão que diz que há a boa e a má  literatura e ela pode ser feita por homens ou mulheres. Mas para além dessa classificação de qualidade que se sobrepõe a qualquer outra, há, sim, um debate importante sobre a existência ou não da literatura feminina. Penso que só pode existir a categoria "literatura feminina" porque ainda se toma, na cultura, o masculino como universal, o que  vem sendo forjado desde o século XVIII por filósofos ditos universalistas como JJ Rousseau ou I. Kant. O que não se percebe tão facilmente é como a tradição universalista, na verdade, sobrepõe o universal ao masculino. Vê-se que os comentários de Naipul são próximos ao pensamento de Rousseau no século XVIII. Na França da Revolução Francesa, havia uma escritora, Olympe de Gouges, que lutou pelo direito de ser reconhecida como autora e como cidadã e acabou na guilhotina. 

"Escrita feminina?" - Apesar de repudiar as declarações dele, há muitas  escritoras que relatam ter começado suas trajetórias literárias pela  construção de personagens femininos. Ocorre-me como exemplo a portuguesa Inês Pedrosa, a quem entrevistei numa Flip na qual ela repudiou completamente essa categoria de "literatura feminina". Também  na Flip já tive a oportunidade de conversar sobre o tema com a espanhola Rosa Montero, que compartilha das mesmas críticas sobre a categoria "literatura feminina", mas reconhece que para muitas autoras é  mais fácil escrever primeiro como mulher, ou seja, escrever sobre o  que se convencionou chamar de universo feminino. Essa também é uma discussão que começa no século XVIII, quando se afirma que as mulheres não seriam dotadas da faculdade da imaginação. Talvez seja a isso que Naipaul esteja se referindo, a livros escritos  por mulheres e sobre mulheres. Não se pode tirar de perspectiva, por exemplo, o fenômeno das capas cor-de-rosa da chamada "chick lit", que  desde o final da década de 1990, com o sucesso de Bridget Jones,  invade as livrarias com esse objetivo: livros escritos por mulheres,  sobre e para mulheres. Sem pretender amenizar as declarações de Naipaul, é importante reconhecer que o público feminino como um subtipo de público tornou-se  atraente para o mercado editorial. Mas é claro que se volta ao início:  existe a boa e a má literatura e ela pode ser escrita por homens ou  por mulheres.

Prêmios só para mulheres - Também há uma resposta mais ou menos pronta para isso: como há mais  homens premiados do que mulheres, um prêmio especialmente dedicado à  mulheres tem como objetivo corrigir esse tipo de distorção. Pode ser, sim, importante que em algum momento se valorize as autoras  mulheres no que elas possam ter de singular. Eu discordo dessa  perspectiva por concordar com uma linha de pensamento que vou tentar  resumir: as reivindicações das mulheres por não estarem restritas ao  espaço doméstico, on de os homens as colocaram desde o século XVIII,  atribuindo a elas a casa como "lugar natural", são reivindicações que  pretendem que as mulheres possam estar em qualquer lugar. O que é  totalmente diferente de atribuir lugares específicos para as mulheres. Ou seja, as mulheres podem e devem ser premiadas em qualquer concurso  literário, e não em prêmios específicos. Isso não significa que, num  dado momento histórico, prêmios específicos para mulheres não sejam  úteis para justamente valorizar a qualidade e a especificidade da escrita feminina.

O preconceito hoje Para mim, a pior e mais cruel face do preconceito hoje é a que diz que o preconceito acabou. É uma estratégia quase imbatível de dizer: não há mais nada a conquistar, não há o que reivindicar, as mulheres já conquistaram tudo que queriam. Chega! Nesse chega reside e resiste o  discurso de avanços, porque está carrega do da ideia de que há limites  para aquilo que as mulheres podem conquistar numa sociedade que continua sendo dominada por homens. Há uma autora que eu gosto, Carole Pateman, que mostra que desde a Revolução Francesa as mulheres tomaram dois caminhos distintos na luta  para se tornarem cidadãs. O primeiro reivindica que o ideal de  cidadania alcançado pelos homens seja estendido às mulheres, de tal forma que a sociedade seja “neutra em termos de gênero”. O segundo, chamado por ela de “Dilema de Wollstonecraft”, uma importante  feminista inglesa contemporânea da Olympe de Gouges. O segundo caminho  defende que as mulheres têm capacidades, talentos, necessidades e preocupações específicas, que devem ser levados em conta na sua  cidadania. No entanto, a lógica da sociedade patriarcal sustentaria esses dois caminhos como incompatíveis porque o patriarcado permite apenas que se  opte entre duas alternativas: tornar-se mulher “como homens”, e assim  sujeito de direitos, ou afirmar a especificidade das mulheres, o que não confere nenhum valor às mulheres para torná-las cidadãs,  desaparecendo com as especificidades das mulheres. Para mim, enquanto estivermos lutando "para ser como os homens", estaremos dentro do registro de um mundo dominado por homens nos quais o poder das mulheres é apenas tolerado, mas não aceito como legítimo.  E escritores como Naipaul vão continuar dizendo que aquilo que é feito por mulheres não tem nenhum valor.

O primeiro post é este.

Escrito por Josélia Aguiar às 11h20

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Literatura e gênero: Maria Esther Maciel

Publico aqui algumas das entrevistas, aquelas respondidas por escrito, relacionadas à reportagem de hoje na Ilustrada.

Maria Esther Maciel é ficcionista, autora de "O Livro dos Nomes", entre outras obras, e professora da UFMG.

Mulheres que escrevem  - Categorizar textos a partir do sexo de quem o escreveu é, a meu ver, um exercício de rotulação duvidosa, pois tende a criar ou reforçar estereótipos. Creio que todo escritor ou escritora deixa no seu texto marcas (implícitas ou explícitas) de sua experiência, de seu imaginário, de sua relação com o próprio corpo e com o mundo, o que poderia justificar uma maior recorrência, nos textos de uma escritora, de temas e questões relacionados à sua experiência enquanto mulher. Mas forjar, a partir disso, um conjunto de traços definidores de uma escrita feminina ou masculina é bastante problemático, já que esses supostos traços acabam por refletir valores construídos socialmente, culturalmente, em torno de mulheres e homens.

“Escrita feminina”? - A literatura é, antes de tudo, um exercício de outridade, que permite a uma autora ou um autor adotar registros diversos de escrita, assumir uma persona de outro sexo e mesmo de outra espécie. É certo que existem escritoras que, deliberadamente, assumem o estereótipo da “escrita feminina” e o reafirmam em sua literatura. Assim como há escritores que se comprazem com doses altas de testosterona em suas obras. E há aquelas e aqueles que se recusam a adotar esses registros demarcados, que os ironizam ou simplesmente os ignoram.

Prêmios para mulheres - Considero esses prêmios legítimos como tentativas de valorização de obras escritas por mulheres e de reparação de uma injustiça histórica contra as escritoras que, apesar de suas inegáveis qualidades literárias, não tiveram o mesmo reconhecimento que os homens escritores. Por outro lado, creio que – ao demarcarem um território exclusivo – eles contribuem para a reafirmação dos rótulos e preconceitos. Eles fariam mais sentido se tivessem existido há algumas décadas. Hoje, a situação já está bem diferente e vejo que as escritoras têm, nos últimos anos, recebido mais e mais prêmios importantes no mundo todo. A literatura escrita por mulheres já criou seu espaço próprio dentro do amplo universo literário mundial. Um espaço diversificado, múltiplo, que escapa – em seu conjunto – ao reducion ismo do conceito e prescinde da muleta do adjetivo.

Estudos de gênero - São uma das linhas de força da crítica, hoje, e têm contribuído para a recuperação de escritoras ignoradas ou esquecidas ao longo dos séculos, bem como para a visibilidade de algumas vozes literárias das chamadas minorias sexuais. Como toda área de conhecimento, comporta diferentes linhas e diretrizes, algumas mais estreitas (as que atrelam o sexo ao texto, por exemplo) e outras mais abertas e matizadas, que recusam as dicotomias e os determinismos. O fortalecimento desse campo, a meu ver, repercute nos prêmios. O surgimento dos prêmios exclusivos para escritoras atesta isso. E, mesmo quanto aos prêmios em geral, isso pode ter, sim, um peso, na medida em que outros critérios que não apenas o literário podem (dependendo do perfil dos jurados) determinar um resultado. Ou não.

O primeiro post é este.

 

Escrito por Josélia Aguiar às 11h15

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Literatura e gênero: Beatriz Resende

Publico aqui algumas das entrevistas, aquelas respondidas por escrito, relacionadas à reportagem de hoje na Ilustrada. 

Beatriz Resende é crítica literária, professora da UFRJ e da Unirio.

Mulheres que escrevem - As primeiras romancistas mulheres escreviam frequentemente com pseudônimos masculinos e ninguém questionava o gênero dos (as) autores. É claro que há deliberada intenção por parte de algumas autores de revelar a subjetividade de mulher. É o texto que quer ser assim identificado. O mesmo acontece com a literatura gay. Mas há também textos literários em que a questão de gênero não é privilegiada, não é tema. Nesses casos, a junção-autor é cumprida, sem que, forçosamente, fique evidente o gênero. Um exemplo bem interessante, entre nós, é a obra de Ana Paula Maia, especialmente o último romance, "Carvão Animal". É o um texto que, se não soubéssemos, jamais imaginaríamos ser escrito por uma mulher. E é excelente.

Esse debate arrefeceu? Arrefeceu sim. O debate deslocou-se, em outros países - aqui não - para o debate sobre literatura gay. Entre nós, o protagonismo está com a literatura de periferia, que foi recebida com os mesmos preconceitos dos primeiros momentos do debate sobre feminismo. Há projetos sobre literatura feminina nas principais universidades, sobretudo nos cursos de letras. Mas ficam bastante confinados ao espaço acadêmico.

Prêmios só para mulheres - Esses prêmios são interessantes porque chamam atenção para o pouco reconhecimento que as autoras mulheres recebem em sociedades ainda dominadas por valores e preconceitos masculinos. Acho bacana. 

Júris reparam no gênero? - Em minha experiência pessoal, nunca vi isto acontecer, ao menos não explicitamente. Mas cabe, porém,  nos indagarmos sobre os resultados finais que terminam, majoritariamente, premiando homens. Um exemplo é o importante Prêmio Portugal Telecom, no qual nenhuma mulher ainda obteve  o primeiro lugar. Outro caso: nos últimos anos, as mulheres têm exercido um papel decisivo na visibilidade, na programação, na abertura para a sociedade da Academia Brasileira de Letras. Veja-se a importância da acadêmica Ana Maria Machado. Pois mesmo lá a premiação, embora não exclusivamente, continua predominantemente masculina. São casos a pensar, de forma livre, não ortodoxa.

O primeiro post é este aqui

 

Escrito por Josélia Aguiar às 11h10

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Santa criatividade, Batman

Diz a campanha esquisitíssima pró-livro e leitura em Quebec, Canadá: "Quando uma criança não lê, a imaginação desaparece".

A imagem é esta abaixo.

Para ver o filminho, vá por aqui

Escrito por Josélia Aguiar às 21h12

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Gangue de livros

Gente que rouba livro em livraria ou biblioteca é comum em todo canto. Mas uma gangue especializada em livros infantis? Não me lembro de ter lido ou escutado algo assim.

A polícia de Lancashire, interior da Inglaterra, está atrás de gatunos que levaram uma pilha de livros de Julia Donaldson, best-seller do gênero, de uma filial da rede de livrarias WH Smith. Donaldson tem uma centena de obras publicadas, como "O Grufalo", série que se tornou famosa no cinema e saiu por aqui pela Brinque Book.

Li a notícia no site da "BBC" (aqui, em inglês)

Escrito por Josélia Aguiar às 20h09

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Um poema: Joan Brossa

Desde a estreia este blog precisa publicar versos.

Conto com vossas sugestões para tornar bastante assídua esta seção, que começa hoje.

Os versos abaixo, de Joan Brossa (1919-1998), estão em "Poemas Civis", volume editado pela 7 Letras em 1998, com tradução de Sérgio Alcides e Ronald Polito. 

Foi o poeta e tradutor Sérgio Alcides quem nos avisou da morte, ontem, aos 85, de Pepa Llopis, mulher de Brossa e curadora da fundação dedicada a esse grande artista e poeta catalão.

Leia a notícia da morte de Pepa Llopis no "Avui" (aqui, em catalão!)

Sobre a crise na Fundação Joan Brossa, no "La Vanguardia" (aqui, em espanhol).


Escrito por Josélia Aguiar às 11h46

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Domingo no parque

Quem me fez ver hoje essa graciosa ilustração do "New York Times" foi Andréia Lago,  jornalista de economia assim como fui um dia, que adora livros e mantém um blog chamado Guia de Leitura (vá por aqui).

Saiu no domingo, e eu não tinha lido ainda.

"O que você está lendo?", o jornal perguntou. Cada entrevistado neste começo de verão no Central Park respondeu o seguinte (aqui, em inglês). 

 

 

Escrito por Josélia Aguiar às 11h09

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Cizânias literárias: Mailer, o briguento

Norman Mailer desponta como o escritor mais briguento, num levantamento informal da "Flavorwire". É quem se sobressai numa lista de dez cizânias literárias preparada pela revista digital, logo após o aperto de mãos de Paul Theroux e V.S. Naipaul, na semana passada (este post). 

Ao lado de Mailer, aparece o próprio Naipaul, que agora resolveu brigar com todas as escritoras de uma só vez (aqui, em inglês, uma das várias reportagens a respeito). Para resumir: o Nobel de 2001 disse, numa entrevista em Londres, que nenhuma mulher escreve à altura de um homem. Não foi pequeno o barulho que se seguiu.


Por que os escritores brigam? Quase sempre porque um falou mal do livro do outro.

Exemplos da "Flavorwire": contrariado porque John Udike fizera piada com o nome de uma personagem, o indiano Salman Rushdie disse que em algum lugar em Las Vegas havia de existir uma prostituta com o nome do colega americano. 

Certa vez, em resenhas diferentes, Mailer, Updike e outro autor, John Irving, reclamaram de "Um Homem por Inteiro", então novo livro de Tom Wolfe. A resposta veio sob a forma de  “My Three Stooges” (“Meus Três Patetas”), ensaio que se tornou famoso

Outra de Mailer: num programa de TV, declarou ao vivo que sabia reconhecer o que era lixo intelectual após cheirar seguidamente a obra de Gore Vidal --que, como sabemos, também adora uma polêmica.


Os escritores também brigam por causa de mulher. Como García Marquéz e Vargas Llosa. A Flavorwire, em língua inglesa, não conta o motivo, mas a América Latina se lembra bem: eram amigos, até que o colombiano consolou com intenções pouco inocentes a mulher de Llosa, após um rompimento do casal. Foi o estopim para uma cizânia que durou décadas e levou à retirada de um prólogo, o de "Cem Anos de Solidão", assinado por Llosa e só agora devolvido, na edição comemorativa dos 40 anos da obra.

Para ler a lista inteira da Flavorwire, siga por aqui

 

Escrito por Josélia Aguiar às 19h04

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Os dez mais, por Ricardo Lísias

De volta à série “Os dez mais”, com as estantes afetivas de ficcionistas e poetas brasileiros: hoje será a de Ricardo Lísias, que venceu há pouco, com  seu “O Livro dos Mandarins”, a Copa de Literatura (http://copadeliteratura.com.br/).  

"O Livro dos Mandarins" é o terceiro romance de Lísias (São Paulo, 1975). O primeiro é "Cobertor de Estrelas", sua estreia em 1999. Publicou nos anos seguintes duas novelas, "Capuz" (2001) e "Dos Nervos" (2004). "Duas Praças" (2005) é seu segundo romance, com o qual levou o terceiro lugar no Prêmio Portugal Telecom.

A Copa de Literatura, já na quarta edição, é inspirada num campeonato literário britânico que também se realiza pela internet.  Os juízes são gente que gosta de livros, muitos já com trajetória iniciada na crítica literária. Os livros passam por rodadas, como em campeonatos de futebol.

Na partida final que ocorreu hoje, o livro de Lísias venceu "O Filho da Mãe", de Bernardo Carvalho, com bastante folga: treze votos a dois. 

"Malone Morre" – Samuel Becket

"Minima Moralia" – T. Adorno

"The Waste Land"– T.S. Eliot

"Bartleby" – Herman Melville

"A Metamorfose" – Franz Kafka

"Desonra" – J. M. Coetzee

"O Som e a Fúria" – William Faulkner

"Memórias do Subsolo" – F. Dostoiévski

"Memórias Póstumas de Brás Cubas" – Machado de Assis

"Ulysses" - James Joyce

 

Em tempo: "Silva" é o jornal literário semestral que Ricardo Lisias vai fazer circular em duas semanas, com distribuição gratuita. O projeto gráfico é de Luciano Arnold. No número de estreia, há quatro textos: um conto do próprio autor, uma carta do editor Joaci Pereira Furtado, do selo Tordesilhas, pedindo excumunhão, um trecho do próximo romance do José Luiz Passos e máximas de Pedro Meira Monteiro, professor de língua e literatura espanhola na Universidade de Princeton (EUA). 

 

 

Escrito por Josélia Aguiar às 15h18

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Jos�lia Aguiar Josélia Aguiar é jornalista, especializada na cobertura de livros. Assina a coluna Painel das Letras, publicada aos sábados no caderno "Ilustrada".


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