Vão pensar que você lê “Ulisses”, mas está apenas jogando “Angry Birds”, diz o "Wall Street Journal" de hoje (aqui, em inglês) sobre esse novo acessório para o iPad 2.
É uma capa feita pela DODOcase e J.Crew. Custa US$ 80.
Os versos são do poeta cubano Nicolás Guillén (1902-1989). Estão na antologia inédita "Poetas da América de Canto Castelhano", com seleção, tradução e notas de Thiago de Mello, que sai agora pela Global.
Entre os 400 poemas de 120 autores do volume, o poeta escolheu este de Guillén para pôr hoje nesta seção, a pedido do blog.
Se você, leitor, não se lembra de Guillén, talvez o conheça por esta "Canção" (é o nome), gravada por Chico Buarque e Pablo Milanés (aqui, link para o youtube): "De que calada maneira/você entra por mim sorrindo,/como se fosse a primavera! (E eu morrendo.)"
Essas listas fazem parte da cultura anglo-americana, e nós, jornalistas, as adotamos por ser funcionais --tanto que este blog tem até a sua, a das estantes afetivas.
O "Guardian" divulgou há uns dias, mas não é tarde para registrar aqui, uma seleção de 100 dos grandes livros de não-ficção (aqui, em inglês). A consulta foi feita a especialistas de cada área.
O jornal britânico publicou hoje uma lista à parte, com livros de “história e viagem” (aqui, em inglês) sugeridos por seus leitores.
Sempre se deve lembrar: a seleção inclui aquilo que os ingleses leram, ou seja, autores e livros em língua inglesa ou traduzidos para aquele idioma.
Antes de voltar aos prometidos posts sobre livrarias independentes, um intervalo para indicar a leitura desta história aqui, que li num dos blogs do "New York Times".
Para quem gosta de fotografia e/ou de ler sobre Segunda Guerra Mundial, há uma grande história (aqui, em inglês).
Ontem, tinha visto o álbum então anônimo no alto da página on-line do "New York Times". Queriam identificar quem era o autor das imagens. Não pensei que em tão pouco tempo eles iam esclarecer o tal mistério.
O post anterior lembrou do que existe de meio cômico, meio exasperante no dia-a-dia dos livreiros. Este e os próximos posts vão tratar de livrarias, essas mesmas, as de tijolo e cimento.
O britânico "Guardian" pediu há dias que seus leitores enviassem fotografias de suas livrarias independentes preferidas --independentes quer dizer que não fazem parte de uma grande rede. O pretexto é que esta semana é dedicada a elas.
Já há muitas imagens no Flickr (aqui), e uma seleção de 30 está na edição on-line do jornal (aqui).
Faz tempo quero e preciso voltar ao tema, depois de várias conversas que tive desde que escrevi a respeito, em 19/02 (aqui). O título na época, "A volta das livrarias pequenas e charmosas", expressava aquilo que em inglês se chama "wishful thinking", a vontade de que se torne realidade. No texto, contei que a quebra da rede americana Borders fez com que livreiros independentes vissem uma oportunidade para se fortalecer. O que ocorreu em quatro meses?
A imagem que você vê acima é a livraria do número 72 da Charing Cross Road, em Londres. O sebo que ficava um pouco mais à frente, no número 84, serviu como cenário de livro e filme. Alguém se lembra?
Essa imagem ilustra um dos posts do blog Manual Prático de Bons Modos em Livrarias, que reproduz diálogos escutados entre livreiros e clientes.
Cada vez que o visito e leio uma de suas histórias tragicômicas tenho a mesma vontade de me atirar assim, tal o estupor.
“Fazer o blog não é só divertido; é bastante terapêutico também”, me responde a jovem livreira que o criou e é a principal responsável pela sua atualização. Os colegas também a ajudam com diálogos que escutam ou dos quais participam. “É bacana acompanhar os comentários dos leitores, saber que não só livreiros estão se divertindo, mas também o público que frequenta livrarias”.
Onde fica sua livraria? “Numa cidade tão tresloucada quanto nossos fregueses”, diz ela, que, segundo sua descrição, tem 20 e poucos anos, estudou jornalismo e quer trabalhar com livros para o resto da vida.
De tanto assistir a tantas cenas delirantes, teve a ideia de fazer o blog como forma de "educar" certos frequeses. "E se existisse um guia de como se comportar em uma livraria?", pensou. "Recentemente descobri um seriado britânico chamado 'blackbooks' e pude constatar que, de fato, fregueses de livrarias são inacreditavelmente iguais; todos precisam de um manual prático de bons modos.”
- mocinho, por favor, você pode me mostrar onde ficam os livros de shoyu?
(livreiro, prontamente, leva a cliente até a estante de gastronomia e mostra alguns livros de culinária)
- não, não. não são esses! (inconformada)
(pensativo, o livreiro mostra os títulos sobre molhos, comida oriental e NADA)
- SHOYU, MEU FILHO, SHOYU! (a freguesa está no alto da sua indignação e falando cada vez mais alto)
(sem ter a quem recorrer, livreiro olha desoladamente para os lados, sem um resquício de esperança. ele sabe, ah, ele sabe, que só um milagre divino será capaz de salvar a sua pele)
- OSHO! o que ela quer são livros do OSHO!
(uma freguesa, que acompanhava de perto a situação, salva a pátria do nosso colega de trabalho. o livreiro, aliviado, leva a freguesa até o local dos molhos oshianos, digo, de meditação e todos ficam extremamente satisfeitos)
A estante afetiva de hoje é deAntonio Prata, cronista da Folha e dono de um divertidíssimo blog aqui na vizinhança.
Nasceu em São Paulo em 1977. Começou a publicar no ano 2000. Escreveu, entre outros livros, "Adulterado" e "Pernas da Tia Corália". Seu livro mais recente é "Meio Intelectual, Meio de Esquerda", antologia de crônicas e contos publicados em sua maioria na imprensa.
Seus "dez mais" estão aqui
"O Gênio do Crime" - João Carlos Marinho
"Chiclete com Banana" - Angeli, Glauco e Laerte
"A Lua Vem da Ásia" - Campos de Carvalho
"Histórias de Cronópios e de Famas" - Júlio Cortázar
"Trinta Anos de Mim Mesmo" - Millôr Fernandes
"Obra Reunida"* – Carlos Drummond de Andrade
"Obra Reunida"* - Fernando Pessoa
"Além do Bem e do Mal" - Nietzsche
"O Mal Estar na Civilização" – S. Freud
"Memórias Póstumas de Brás Cubas" - Machado de Assis
*Alguns entrevistados listaram "Obras reunidas". É mais de um livro, claro, mas numa enquete desse tipo não cabiam certos rigores. Quase sempre foram acatados os recortes e respostas que me enviaram.
Leio na edição on-line do "Financial Times" (aqui, em inglês) que o Google e a Biblioteca Britânica anunciaram há pouco um acordo para que a empresa americana digitalize aproximadamente 250 mil livros datados dos séculos 18 ao 19 que fazem parte do seu acervo gigante, sediado em Londres. O Google, como se sabe, fez já projeto semelhante com cerca de 40 instituições desse tipo, inclusive a biblioteca da Universidade Harvard (EUA).
Contei faz pouco tempo, na "Painel das Letras" da Ilustrada (aqui, se assinante do UOL ou da Folha), que todo o acervo do século 19 da Biblioteca Britânica vai poder ser lido em breve com um novo aplicativo para o iPad, da Apple. São mais de 60 mil livros de ficção, história natural, filosofia, literatura de viagem.
A cópia digital será idêntica à edição original, com, por exemplo, ilustrações e mapas de época, se existirem. Já é possível ler gratuitamente cerca de cem obras. Quando toda a coleção estiver disponível para iPad, essa leitura será cobrada. A Biblioteca Britânica informou que em breve desenvolverá outro aplicativo, para que o acervo possa ser lido por meio do Android, que roda em aparelhos Samsung e Motorola.
Acima, a "capa" da Biblioteca Britânica para iPad
Com a digitalização das mais importantes bibliotecas nos EUA e na Inglaterra, o leitor que precisar de qualquer livro em inglês já em domínio público (o que ocorre 70 anos depois da morte de seu autor) encontrará pela internet, via e-book ou aplicativo. Como essas instituições também têm obras em outros idiomas, serão grandes as chances de encontrar o que procure de autores de outras nacionalidades. Qual será o preço? Provalvelmente mais barato do que seria comprar um livro importado ou traduzido por editora brasileira. E nem se trata aqui apenas de custo. Serão muito maiores a facilidade e a rapidez com que se poderá encontrar esses títulos.
Prometi à adorável Nina Horta, que estreou faz pouco tempo um ótimo blog nesta vizinhança, que vou fazer logo, logo um post sobre o que já dá para encontrar para leron-line e de graça. Podem aguardar.
ATUALIZAÇÃO no dia 21/06 : No "Guardian", há uma matéria com mais informações sobre o acordo (aqui, em inglês).
Esta é a primeira edição do "Ulisses", que pesquei (aqui, em inglês) do ótimo Book Patrol, um blog sobre cultura do livro.
Obra-prima da literatura, considerada intransponível por leitores menos experientes ou menos dedicados, é comemorada todo dia 16 de junho, o chamado "Bloomsday" (de que falei neste post).
Não foi um livro que encontrou editora tão facilmente em sua época, como se pode imaginar. Para quem gosta de história de livros, ou gosta de Joyce, há "Shakespare and Company - Uma livraria na Paris do entre-guerras", a autobiografia de Sylvia Beach, americana radicada na capital francesa.
Foi a jovem livreira, com a audácia dos ingênuos, que publicou pela primeira vez o catatau de Joyce na década de 1920. O livro de Beach saiu no Brasil pela Casa da Palavra, que tem em seu catálogo vários livros sobre livros.
Quase na mesma proporção em que se propala que o livro é difícil, há gente que se empenha em guiar leitores pela obra. Na "Flavorwire", entre as várias coisas bacanas sobre Joyce (aqui, em inglês), reencontrei este vídeo de Mike Barsanti, que explica "Ulisses" em cinco minutos. Não é novo, mas tinha me esquecido dele.
"Popularizar Joyce" é também a missão do radialista Frank Delaney, cujo perfil está na "More Intelligent Life", da "Economist" (aqui, em inglês), deste fim-de-semana. Delaney fez uma série de podcasts chamada Re: Joyce (aqui, em inglês).
Na festa do Bloomsday, os fãs comemoraram nas ruas e também na internet.
Publiquei a foto acima na "Painel das Letras" que saiu ontem na Ilustrada (aqui, se assinante do UOL ou da Folha). É a imagem de uma ceninha de atores em Nova York vestidos como os personagens.
Entre os projetos que mobilizaram mais gente na web, @11yssesreproduziu o livro em 140 caracteres pelo Twitter durante toda a quinta-feira. Parou quando era madrugada de sexta aqui no Brasil.No "New York Times", há um texto sobre eles (aqui, em inglês). E você pode ver no blog do Almir de Freitas (aqui) um curioso mapeamento via Foursquare das andanças de Leopold Bloom.
É quase óbvio terminar este post com isso aqui: a mais recente edição da obra, pela Alfaguara, mil páginas traduzidas por Bernardina da Silveira Pinheiro.
Tentei ler "Ulisses" várias vezes na adolescência.
Só consegui quando essa versão saiu, há coisa de cinco anos. Acho que a leitura no original vai ficar para depois.
ATUALIZAÇÃO às 15h50: Encontrei na internet uma foto de Sylvia Beach e James Joyce na porta da Shakespeare & Co, anos 1920. Muito elegantes, não!?
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