A tradução que reproduzo abaixo é de Manuel Bandeira. Está em "Alguns Poemas Traduzidos", volume publicado na coleção que tem a cerejinha na capa, da José Olympio. Conheci esses versos ainda criança noutra tradução, cujo autor não me lembro, por isso talvez estranhe um pouco algo da primeira estrofe. Mas é tradução de Bandeira!

Os versos originais, retirei de "Collected Poems of Emily Dickinson", edição da Gramercy Books (comprei na época pelas flores da capa).

 

Morri pela beleza, mas apenas estava

Acomodada em meu túmulo,

Alguém que morrera pela verdade

Era depositado no carneiro contíguo.


Perguntou-me baixinho o que me matara:

--A beleza, respondi.

--A mim, a verdade -- é a mesma coisa,

Somos irmãos.


E assim, como parentes que uma noite se encontram,

Conversamos de jazigo a jazigo,

Até que o musgo alcançou os nossos lábios

E cobriu os nossos nomes.


I died for beauty, but was scarce

Adjusted in the tomb,

When one who died for truth was lain

In an adjoining room.


He questioned softly why I failed?

"For beauty", I replied.

"And I for truth, - the two are one;

We brethen are", he said.


And so as kinsmen met a night,

We talked between the rooms,

Until the moss had reached our lips,

And covered up our names.

 

 

Leia poemas de Joan BrossaJorge Luis BorgesHeinrich Heine e Nicolás Guillén.

 

Atualização 2/7, às 13h40 : um ótimo poeta me ajudou a corrigir há pouco algo que mudava tudo e era a razão de minha estranheza na primeira estrofe, que mencionei acima: no final do segundo verso, há vírgula, e não ponto. Correção feita.