
Amanhã no blog
--uma seleção de livros para as férias
Quarta no blog
--um pequeno guia para quem vai assistir a Flip pela internet
Além da programação normal, é claro.
Escrito por Josélia Aguiar às 21h29
O poema desta semana é um dos meus preferidos desde sempre.
A tradução que reproduzo abaixo é de Manuel Bandeira. Está em "Alguns Poemas Traduzidos", volume publicado na coleção que tem a cerejinha na capa, da José Olympio. Conheci esses versos ainda criança noutra tradução, cujo autor não me lembro, por isso talvez estranhe um pouco algo da primeira estrofe. Mas é tradução de Bandeira!
Os versos originais, retirei de "Collected Poems of Emily Dickinson", edição da Gramercy Books (comprei na época pelas flores da capa).
Morri pela beleza, mas apenas estava
Acomodada em meu túmulo,
Alguém que morrera pela verdade
Era depositado no carneiro contíguo.
Perguntou-me baixinho o que me matara:
--A beleza, respondi.
--A mim, a verdade -- é a mesma coisa,
Somos irmãos.
E assim, como parentes que uma noite se encontram,
Conversamos de jazigo a jazigo,
Até que o musgo alcançou os nossos lábios
E cobriu os nossos nomes.
I died for beauty, but was scarce
Adjusted in the tomb,
When one who died for truth was lain
In an adjoining room.
He questioned softly why I failed?
"For beauty", I replied.
"And I for truth, - the two are one;
We brethen are", he said.
And so as kinsmen met a night,
We talked between the rooms,
Until the moss had reached our lips,
And covered up our names.
Leia poemas de Joan Brossa, Jorge Luis Borges, Heinrich Heine e Nicolás Guillén.
Atualização 2/7, às 13h40 : um ótimo poeta me ajudou a corrigir há pouco algo que mudava tudo e era a razão de minha estranheza na primeira estrofe, que mencionei acima: no final do segundo verso, há vírgula, e não ponto. Correção feita.
Escrito por Josélia Aguiar às 19h01

Esta é a segunda parte do post anterior, sobre livros que descrevem ou se passam na Paris dos anos 1920, época do novo filme de Woody Allen.
Perguntei aos leitores se lembravam de alguma obra além daquelas que eu citava. As sugestões foram muitas e ótimas.
Almir de Freitas, dono do Não Me Culpem pelo Aspecto Sinistro, ótimo blog sobre autores e livros, indicou dois livros: “Autobiografia de Todo Mundo”, de Gertrude Stein, e “Na Pior em Paris e Londres”, de George Orwell. E também o capítulo dedicado a Paris na obra “Os Anos 20”, de Edmund Wilson.
Via twitter, recebi de Mariana Newlands, designer de capas muito elogiadas, a sugestão: “Kiki de Montparnasse”. Tem a graphic novel, de Catie & Bocquet, lançada pela Record, e a biografia, escrita por Lou Mollgaard, publicada pela Martins e atualmente esgotada.
A leitora Márcia sugeriu “Querido Scott, Querida Zelda", que reúne as cartas trocadas pelo casal Fitzgerald, que cobrem o período de 1918 até 1940 e saiu pela Companhia das Letras.
O leitor Antonio lembrou de “Os Exilados de Montparnasse", de Jean-Paul Caracalla, que saiu pela Record.
Fanny, outra leitora, sugere um livro que tangencia o tema, “Caçadores de Obras-Primas”, de Robert M.Edsel, sobre a pilhagem de grandes obras pelos nazistas, publicado pela Rocco.
Simão indicou "Modernismo: Guia Geral", de Malcolm Bradbury e James McFarlane (infelizmente, esgotado), lançado por aqui pela Companhia das Letras, que tem um capítulo sobre a Paris do início do século 20.
Carlos Romero sugeriu ler Hemingway, e Flavia, Fitzgerald.
Os livros que vocês sugeriram e ainda não foram traduzidos para o português vão ser incluídos num outro post, em breve. Deixei de fora os livros que romanceiam o período, mas são de autores de épocas posteriores.
A capa qua abre este post é de "Contos da Era do Jazz", de F. Scott Fitzgerald, ilustração feita por John Held na edição de 1922. Encontrei-a num site que reúne muitos links sobre a cultura do jazz e a geração perdida, os escritores americanos que escreveram após a Primeira Guerra Mundial, em sua maioria expatriados em Paris (aqui, aqui, aqui). O acervo foi reunido pela professora Kathleen L. Nichols, da Universidade de Pittsburg (EUA).
Escrito por Josélia Aguiar às 18h41
Procurei imagens que mostrassem o que ocorre à meia-noite em Paris no novo filme do Woody Allen. A única que encontrei mais próxima do que podia ser foi esta abaixo. Talvez não sejam divulgadas para resguardar a piada. Se ainda não sabe do que se trata, então não leia este post.

"E então um século é feito de cem anos e cem anos não são assim tanto tempo. Qualquer pessoa pode conhecer alguém que se lembra de mais alguém e faz tudo recuar cem anos. Se não pode ser feito em duas gerações, pode facilmente ser feito em três. E cem anos não são assim tanto tempo".
O trecho acima está na página 147 de "Paris França", de Gertrude Stein, que o escreve ao seu estilo "uma rosa é uma rosa é uma rosa". A poeta americana, que se mudou para Paris em 1903, observa como se transformou a cidade até 1939, ano em que começa a fazer o livrinho.
A obra de Stein é uma das que encontrei na minha estante sobre a Paris dos anos 1920.
Este post é um "ongoing project". Conto com sua ajuda, leitor, para me lembrar de outros livros sobre a época. Cito apenas os que li, tenho em casa e já foram traduzidos para o português (em outros idiomas, é ernome a bibliografia).
O clássico dos clássicos é "Paris é uma Festa", do próprio Ernest Hemingway, um dos personagens mais adoráveis do filme (a essa altura já deu para perceber que tenho certo quebranto por Hemingway).
De Janet Flanner, jornalista da "New Yorker" que também viveu aqueles anos, há a antologia "Paris era Ontem (1925-1939)". Mais recente, há "Os Anos Loucos", de William Wiser, também americano radicado em Paris. "Trópico de Câncer", considerada a principal obra de Henry Miller, também se passa na mesma época, em Paris. E ele é também outro americano no exílio.
Alguém se lembra de mais sugestões?
Noto que a maioria das obras citadas saíram por aqui pela José Olympio. Vou perguntar à editora, Maria Amélia Mello, se é apenas coincidência.
ATUALIZAÇÃO às 14h
O leitor Bruno me lembra que já citei no blog (este post) o livro de Sylvia Beach, "Shakespeare and Company - Uma livraria na Paris do entre-guerras", publicado pela Casa da Palavra. Foi a livreira quem publicou "Ulisses", de James Joyce, pela primeira vez.
Correção: o livro do Hemingway saiu pela Bertrand Brasil (que faz hoje parte do mesmo grupo da José Olympio, o Record)
Caio, outro leitor, sugeriu "A Autobiografia de Alice B. Toklas", de Gertrude Stein. Alice era a companheira da poeta naquele período. A edição mais recente é da Cosac Naify.
Gabriela, uma ótima leitora, tem outra sugestão: "O Livro de Cozinha de Alice B. Toklas", que a Companhia das Letras lançou e que, parece, está esgotado.
ATUALIZAÇÃO às 16h20
A editora Maria Amélia Mello, na José Olympio há 25 anos, diz que não é coincidência; sempre houve, sim, interesse em manter livros sobre o tema em seu catálogo.
E avisa ao blog sobre outras obras publicadas pela editora. Das que nos contou, destaco esses dois, de não ficção: “A Rive Gauche: Escritores, Artistas e Políticos em Paris de 1934-1953”, de Herbert R. Lottman, e “Os Anos Sombrios: Paris na década de 1930”, do mesmo William Wiser que escreveu sobre a década de 1920, citado mais acima.
Fora de catálogo –se quiser muito, procure nos sebos--, há “Scott Fitzgerald, Uma Biografia”, de Jeffery Meyers, “Cole Porter, Uma Biografia” e “Gershwin, Uma Biografia”, ambos de Charles Schwartz, e também “Gertrude & Alice”, de Diana Souhami.
Escrito por Josélia Aguiar às 10h12
Ninguém deve se espantar com a curiosidade acadêmica (como viram neste e neste post).

Após estudar 34 álbuns de Asterix, pesquisadores alemães identificaram 704 casos de traumatismo craniano de gravidade variável. Os romanos são as vítimas mais freqüentes (63,9% dos casos) e os gauleses, os agressores (quase 90%). Mais da metade das lesões levou à perda de consciência.
Não é piada. A equipe do neurocirurgião Marcel Alexander Kamp, de Düsseldorf, publicou os resultados na revista especializada "Acta Neurochirurgica".
Li a notícia no “Libération” (aqui, em francês), que apresenta outros levantamentos numérico-literários tão esquisitos quanto esse.
Escrito por Josélia Aguiar às 22h18

Clifford Scheiner, 61 anos, tem uma coleção com 350 mil livros, filmes e fotos pornográficas. Datam do século 13 à época atual.
Não é pouca coisa para um colecionador particular. O Kinsey Institute, por exemplo, que é referência na área, possui 430 mil itens em seu acervo.
Scheiner, que começou a coleção na década de 1960, diz que seu interesse é exclusivamente acadêmico; é PhD em sexologia, título que lhe concedeu o Instituto de Estudos Avançados em Sexualidade, em San Francisco (EUA).
A habilidade como negociante de livros usados, diz Scheiner, o ajudou a constituir o acervo tão extenso. Até 2003, quando se aposentou, era médico no Brooklyn.
Li a notícia no “NY Daily News” (aqui, em inglês).
Escrito por Josélia Aguiar às 21h03
Fiz ontem uma seleção de bons links sobre ficção que li no último fim-de-semana (este post).
A seleção de agora é de não ficção.
Na "New York Review of Books", Yasmine El Rashidi, que foi correspondente durante muitos anos no Oriente Médio, escreve sobre as tensões no Egito pós-primavera árabe (aqui, em inglês). É da mesma autora o texto publicado em abril, que vale lembrar (aqui, em inglês).
Paul Krugman e Robin Wells escrevem sobre economia americana também na “NYRB” (aqui, em inglês), a propósito do livro “The Age of Greed: The Triumph of Finance and the Decline of America", de Jeff Madrick.
Na "New Yorker", vários links tratam da retirada das tropas americanas do Afeganistão (aqui, em inglês).
E Jonathan Littell, autor do impressionante “As Benevolentes”, escreve sobre o Sudão na "London Review of Books" (aqui, em inglês).
Escrito por Josélia Aguiar às 13h12

Essa história começou faz tempo e é um pouco (ou talvez muito) esdrúxula.
Quando era correspondente da Folha em Londres, demos a primeira notícia em "Mundo" em 2 de março de 2001 (aqui, recordar é viver).
Na época, pesquisadores sul-africanos argumentavam que Shakespeare era usuário de marijuana, a partir da análise de seus versos e de escavações em lugares onde viveu.
A maioria dos especialistas na obra do dramaturgo elizabetano reagia à hipótese com desdém.
Engraçado foi como Stanley Wells, do Shakespeare Birthplace Trust, com quem conversei na ocasião, questionava a pertinência do tal estudo: "Existem 8 milhões de usuários de maconha neste país hoje. E eles estão produzindo alguma coisa comparável aos sonetos de Shakespeare? Eu duvido"
Dez anos depois, a polêmica está de volta. A notícia de agora é que um dos autores daquele estudo, Francis Thackeray, diretor do Instituto de Evolução Humana em Johannesburg, na África do Sul, solicitou a exumação daquele que descansa na sepultura atribuída ao bardo.
Li sobre o caso na "Atlantic" (aqui, em inglês), cujo texto lembra do pavor que Shakespeare tinha de que violassem sua sepultura. Tanto que sua lápide diz assim: "Blessed be the man that spares these stones/ And cursed be he that moves my bones" (na tradução livre, "Abençoado o homem que poupar essas pedras/Maldito o que mexer nos meus ossos").
ATUALIZAÇÃO EM 27/06 - Encontrei uma reportagem sobre o mesmo grupo de pesquisadores sul-africanos, quando divulgaram no final do ano passado aquele que consideram o rosto de Shakespeare (aqui, em inglês)
Escrito por Josélia Aguiar às 20h11

Há um perfil de Philip Roth no "Financial Times" (aqui, em inglês), em que o escritor americano diz por que não lê ficção.
No "El País", encontre um texto sobre o Museu Hemingway, em Cuba, nos 50 anos de sua morte (aqui, em espanhol).
Sobre Ernesto Sábato, morto recentemente, saiu na revista "Ñ", do Clarín (aqui, em espanhol), texto escrito por sua viúva, e também no "El País" (aqui, em espanhol).
O "Guardian" entrevista Salman Rushdie (aqui, em inglês) sobre livros e a primavera árabe. As últimas horas de García Lorca, também no "Guardian" (aqui, em inglês).
No "El Tiempo", Javier Marías dá entrevista sobre o novo romance, "Los Enamoramientos" (aqui, em espanhol).
Acima, Hemingway durante as filmagens de "O Velho e o Mar", nos anos 1950, foto reproduzida no "El País"
Escrito por Josélia Aguiar às 12h22
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