Painel das Letras

por Josélia Aguiar

 

Você tem até 39 anos? Aliste-se

Esse material saiu no jornal impresso.

Como dei a notícia aqui na segunda-feira, reproduzo abaixo seu complemento.


1.

Pela primeira vez, a prestigiosa revista literária “Granta” vai fazer uma edição apenas com jovens autores brasileiros.
A edição sairá em julho do ano que vem, e não só em português, mas também em inglês e em espanhol.
O anúncio foi feito na quinta-feira, em Paraty, por John Freeman, editor da “Granta”, e por Roberto Feith, diretor editorial da Objetiva/Alfaguara, que desde 2007 publica a edição brasileira da revista britânica.
A série “Os Melhores Jovens Autores” começou em 1983, quando uma edição inteira revelou quem eram os novos nomes da ficção britânica.
“Lia-se naquela época Doris Lessing”, recordou Freeman, sobre a dificuldade que tinha o mercado britânico em reconhecer quem renovava sua ficção.
Daquela vez, o volume apresentou nomes como Ian McEwan, Kazuo Ishiguro, Salman Rushdie e Martin Amis, hoje autores consagrados. Desde então, uma nova edição de jovens escritores britânicos é publicada a cada dez anos. 
Em 1996 e 2006, a “Granta” também fez edições apenas com jovens autores americanos. Ano passado, pela primeira vez, o foco foram os jovens autores de língua espanhola, volume que começou a circular agora, em português, pela Objetiva/Alfaguara.

Júri

Vinte nomes serão reunidos na “Granta” com brasileiros. O número é o mesmo de toda a série “Os Melhores Jovens Escritores”.
Vão poder se inscrever autores que tenham nascido depois de 1º de janeiro de 1972. O candidato deve enviar um conto ou trecho de romance. As inscrições se encerram em 30 de setembro.
No júri, há seis brasileiros e um estrangeiro. Entre os brasileiros, o escritor Cristóvão Tezza e os críticos literários Samuel Titan, Manuel da Costa Pinto e Ítalo Morriconi. Dois membros do júri são editores da Objetiva/Alfaguara: Isa Pessoa e Marcelo Ferroni. O nome estrangeiro é o americano, radicado na Holanda, Benjamin Moser, autor da biografia de Clarice Lispector publicada no país pela Cosac Naify. Um dos motivos para a escolha de Moser é seu conhecimento avançado do idioma.
“Nós temos muitos escritores publicando. O nosso desafio é selecionar os 20”, explicou Roberto Feith. “Num levantamento preliminar, encontramos cerca de 60 ficcionistas com chances de entrar.”

 

2.

Uma “Granta” só com jovens autores brasileiros que sai em um ano, uma edição brasileira da mexicana “Letras Libres” que começa a se desenhar. As revistas literárias internacionais descobriram o Brasil?

John Freeman, da “Granta”, e Enrique Krauze, da “Letras Libres”, que participam no sábado, às 10h, da mesa “No Calor da Hora”, que vai discutir a crítica literária hoje, têm motivos diferentes para mirar os escritores daqui.

Freeman diz que a ficção mais nova e interessante se encontra hoje “em lugares onde há uma nova geração de autores, onde há questões sérias a enfrentar e onde narrativas ainda importam e têm algo a dizer”. Mais especificamente, cita países africanos como Nigéria, Etiópia e Quênia, comunidades de imigrantes nos EUA e no Reino Unido, e a América Latina.

A recente edição só com jovens autores de língua espanhola fez “grande sucesso”, segundo Freeman, no mercado de língua inglesa. Significa que, portanto, há boas expectativas comerciais. “Leitores parecem ter muito interesse na colisão entre novos escritores e um lugar particular”. “O Brasil têm crescido bastante e é por isso que estou aqui”, completa o editor.

O ensaísta e historiador Krauze, da “Letras Libres”, crê que a ficção mais nova e interessante está sendo produzida hoje em língua inglesa. “Mas ainda não deixamos de ter grandes escritores em nossa América”, pondera. 

E por que o Brasil interessa? “Porque tem muito a nos ensinar, em vários aspectos. Creio que o Brasil é uma experiência histórica mais bem sucedida que a de nossos países na América Latina”, diz Krauze. Como exemplo, lembra o sucesso que fez a edição que analisava o governo Lula sob vários ângulos –-vale lembrar que enquanto a “Granta” se concentra em ficção, a “Letras Libres” também se abre ao debate de ideias. O triângulo perfeito, segundo Krauze, será conectar a edição brasileira com a mexicana e a espanhola já existentes.

Internet

A internet ajudou as revistas literárias? “Sim e não”, avalia Freeman. “Ajudou porque o leitor não precisa mais estar onde a publicação circula para poder lê-la”, diz. “Mas como a internet é uma cultura livre, é mais difícil levar as pessoas a pagarem por algo que já têm de graça”, acrescenta.  

O editor da “Letras Libres” diz que a internet revitalizou a literatura. “Agora o mundo é um imenso escritório modular com pessoas escrevendo em celulares e computadores”, compara Krauze. “E há um elemento poético na escrita sintética da rede, como a do hai-cai”.

 

Escrito por Josélia Aguiar às 22h48

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Um Poema: Ferreira Gullar


Conheço o poema e sua história. Mas chorei outra vez quando Ferreira Gullar, 81, contou hoje de manhã, em Paraty, como escreveu no exílio seu “Poema Sujo”. E como o longo texto, gravado numa fita, veio de avião até o Brasil carregado por Vinicius de Morais, que o colocou para muita gente ouvir. “Poema Sujo”,  testamento poético, pois Gullar achava que seria preso e morto, ajudou a trazê-lo de volta ao país, dada a repercussão que teve após sair em livro, com “noite de autógrafos sem o autor”.

Curioso é que, de Gullar, lembro ao menos três vezes por semana, em horários diferentes, em tarefas diferentes, desses versos de “Homem Comum”: “e a vida sopra dentro de mim/ pânica/ feito a chama de um maçarico e pode subitamente/ cessar”. Isso se repete há uns 20 anos.

O poema abaixo foi um dos que ele leu hoje, num evento da Casa Folha. É de um tempo muito distante do nosso.

 

Cantada

 

Você é mais bonita que uma bola prateada

de papel de cigarro

Você é mais bonita que uma poça dágua

Límpida

num lugar escondido

Você é mais bonita que uma zebra

que um filhote de onça

que um Boeing 707 em pleno ar

Você é mais bonita que um jardim florido

em frente ao mar em Ipanema

Você é mais bonita que uma refinaria da Petrobrás

de noite

mais bonita que Ursula Andress

que o Palácio da Alvorada

mais bonita que a alvorada

que o mar azul-safira

da República Dominicana

 

Olha,

você é tão bonita quanto o Rio de Janeiro

em maio

e quase tão bonita

quanto a Revolução Cubana 

 

Atualização 9/7, às 8h30 - Preciso contar que a plateia riu com esse final. Antes de lê-lo, o poeta confidenciou que o fez para conquistar uma moça. "Conseguiu?" "Não!", Gullar respondeu.

 

Sobre a conversa de Ferreira Gullar na Casa Folha, leia aqui

Leia poemas de Joan BrossaJorge Luis BorgesHeinrich HeineNicolás Guillén, Emily Dickinson.

Escrito por Josélia Aguiar às 18h55

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Não está em Paraty? Assista pela internet

Não está em Paraty? Você pode assistir ao vivo, pela internet.

Vá até o site oficial, http://www.flip.org.br/, e entre na primeira seção à esquerda, que o levará para a transmissão de todas as mesas.

Do que você gosta? Poesia, ficção estrangeira, grandes debates?

João Ubaldo Ribeiro, nosso clássico contemporâneo, é a grande atração da literatura brasileira: sua mesa, a 13, será no sábado, às 17h15, horário nobre da Flip.  Autores da nova ficção nacional estão na mesa 12, às 15 do sábado.

James Ellroy, cultuado autor de ficção policial, é outro grande nome, em horário nobre:  sábado, às 19h30, mesa 14.

Joe Sacco, para quem gosta de quadrinhos: mesa 11, sábado, ao meio-dia.

Miguel Nicolelis, neurocientista brasileiro de projeção internacional, conversa com Luiz Felipe Pondé às 19h30 da quinta. É a mesa 4, "O humano além do humano".

Claude Lanzmann, intelectual francês que, entre outros, é autor do impressionante documentário “Shoah”, sobre o holocausto, está na mesa 9, às 19h30 da sexta.

Ficcionistas estrangeiros de diversas nacionalidades e gerações ocupam boa parte das mesas: a mesa 3, "ficções da diáspora", às 17h15 da quinta, a mesa 6, “pontos de fuga”, ao meio-dia de sexta, a mesa 7, “laços de família”, às 15h de sexta;  a mesa 17, “em nome do pai”, às 14h30 do domingo.

Alguns dos principais nomes: valter hugo mãe e Pola Olaixarac (mesa 6),  Emmanuel Carrère e Peter Esterhàzy (mesa 7), Laura Restrepo e Héctor Abad (mesa 17).

Sobre crítica literária e revistas especializadas: John Freeman, da “Granta”, e Enrique Krauze, da “Letras Libres”, estão na mesa 10, às 10h do sábado

Para quem gosta de poesia, a mesa 1, desta quinta, ao meio-dia, reúne Paulo Henriques Britto e Carol Ann Dufy.

Oswald de Andrade, o homenageado deste ano, é tema de duas mesas: a 2, quinta, às 15h, a 15, domingo, às 10h. A mesa 18, que encerra o evento com a já tradicional leitura de livros de cabeceira por autores participantes, terá uma prometida “macumba antropófaga”, com o Teatro Oficina.

Não trata de Oswald, mas tem a ver com os trópicos: mesa 16, com David Byrne e Eduardo Vasconcelos.

 

Sobre a conferência de abertura, nesta quarta à noite, feita por Antonio Candido, vá por aqui

O crítico literário deu uma coletiva-surpresa (na foto acima) na tarde desta quarta, que você lê aqui

 

Oswáld, Ôswald ou Oswaldo? Antonio Candido explica

 

Escrito por Josélia Aguiar às 00h04

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"Granta" e "Letras Libres" só com brasileiros

A quase centenária Granta, uma das mais influentes revistas literárias do mundo, vai preparar uma edição só com autores brasileiros, segundo apurou esta blogueira.

Esse é um dos projetos que seu editor-chefe, John Freeman, um dos convidados da Flip, deve anunciar durante o evento, que começa na quarta-feira.

Dava para imaginar. Ano passado, a revista britânica fez pela primeira vez uma edição apenas com jovens autores de língua espanhola, nascidos na Espanha ou países da América Latina. E os de língua portuguesa!?, já se podia pensar na época.

Esse volume, o 113, saiu este mês no Brasil pela Objetiva/Alfaguara, que desde 2007 traduz a “Granta”. 

Não é a única notícia no campo das revistas literárias.

A mexicana "Letras Libres" também deve ter em breve edição brasileira, conta Enrique Krauze, ensaísta mexicano e editor da revista.

A "Letras Libres" brasileira seria feita em parceria com Thales Guaracy, editor do selo Benvirá, da Saraiva,  e ex-publisher no Brasil da "Forbes" e da "Gula".

Krauze divide com Freeman a mesa 10, dedicada à crítica literária, no sábado.

Escrito por Josélia Aguiar às 18h10

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Sarkozy, o Wally francês

"Où est Sarko?", ou, em português, "Onde está Sarko?", é o álbum lançado pela editora francesa L'Opportun para brincar com a capacidade que tem o presidente francês, Nicolas Sarkozy, de ao mesmo tempo estar em todas e micro-gerenciar o país.

A obra é assinada por Albert Algoud, Pascal Fioretto e Herlé.

Li a notícia no "Guardian" (aqui, em inglês).

 

Escrito por Josélia Aguiar às 15h28

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Kafka, o desenhista

 

 

"O Pensador" acima é de autoria de Franz Kafka, ele mesmo.

Encontrei o desenho no blog Papeles Perdidos, do "Babelia", suplemento literário do "El País" (aqui, em espanhol).

Há uma galeria só com os desenhos do autor tcheco (aqui, em espanhol).

O "Babelia" promete para o próximo sábado mais textos e desenhos, por ocasião do lançamento do livro "Franz Kafka - Dibujos", editado pela Sexto Piso, na Espanha.

 

Escrito por Josélia Aguiar às 12h40

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Jos�lia Aguiar Josélia Aguiar é jornalista, especializada na cobertura de livros. Assina a coluna Painel das Letras, publicada aos sábados no caderno "Ilustrada".


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