Painel das Letras

por Josélia Aguiar

 

Clarice em inglês

Uma nova Clarice Lispector vai ser lida em inglês. Sai em 24 de outubro, pela New Directions, de Nova York, o primeiro volume da sua reedição no idioma. "A Hora da Estrela" tem tradução de Benjamin Moser, autor da biografia da autora que virou best-seller por aqui.

Moser é quem edita a coleção, que já tem outros quatro títulos em andamento: "Perto do Coração Selvagem", "A Paixão Segundo GH", "Água Viva" e "Um Sopro de Vida", este ainda inédito em inglês.

A seu lado, estão tradutores dos EUA, Inglaterra e Austrália que viveram no Brasil ou são filhos de brasileiros. "Como editor, posso unificar as diversas vozes para termos uma só voz para Clarice em inglês", explica Moser. Não era o que ocorria com as traduções anteriores, de cerca de 40 anos atrás e de resultado irregular.

Essa é um das notícias do "Painel das Letras" de hoje, na Ilustrada (a íntegra está aqui, se assinante da Folha ou do UOL).

Escrito por Josélia Aguiar às 11h58

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Em Londres, livrarias a salvo

O blog Prospero, da Economist, informa em tom de alívio que as livrarias estão a salvo na onda de protestos que começou há uma semana nas ruas de Londres. Aparentemente, parecem ser as únicas lojas poupadas (aqui, em inglês).

No pé do texto, cita-se um livro que me pareceu interessante: “Violent London: 2000 years of Riots, Rebels & Revolts”, de Clive Bloom. O autor espera vender muitos exemplares por esses dias.

Escrito por Josélia Aguiar às 09h26

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O livro de receitas de Popeye

Para ficar tão magra como Olívia e tão forte como Popeye.

Vai ser publicado em outubro pela SelfMadeHero, uma editora especializada em quadrinhos e cultura pop, informa o "Guardian" (aqui, em inglês).

São 150 receitas com muitos vegetais incluídos, inclusive, claro, espinafre.

Para registrar: ano que vem, novas histórias de Popeye, personagem que nasceu em 1929, serão publicadas pela DW Publishing, que anunciou o projeto mês passado

Escrito por Josélia Aguiar às 09h07

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A carta de Virginia Woolf a um jovem poeta

Descobri essa historinha na "Paris Review" (aqui, em inglês), de onde pesquei a imagem e o título. 

A carta é de Virginia Woolf para o sobrinho Julian, filho de sua irmã Vanessa Bell, pintora e decorada.

A autora de “Orlando” nunca acreditou muito na vocação de Julian, que morreria cedo, antes dos 30. Apesar de relutante, a tia publicou o rapaz, porém, na Hogarth Press, a editora que ela dirigia com Leonard Woolf, seu marido e também membro do chamado Grupo de Bloomsbury, como aquela turminha  toda ficou conhecida.

Na carta, a escritora diz apenas que é “quinta-feira”. Cruzando anotações de seu diário, é possível deduzir que é de novembro de 1929, diz Sarah Funke Butler, curadora da Glenn Horowitz Bookseller, proprietária desse e de outros documentos de Woolf (vale visitar: eles põem no ar peças do acervo e as comentam).

Na íntrega, está lá: “Thursday. My dear Julian. I like the poem very much. It still wants CURRENCY I think. When did you write it? It shall be the cornerstone of my new library at Rodmell. But this is to say—please be here 7:30 sharp tomorrow (Friday) as we want you to drive Rachel & us to a restaurant.” 

Na minha tradução livre: "Quinta. Meu querido Julian. Gosto muito do poema. Ainda requer CURRENCY. Quando você o escreveu? Vai ser a pedra angular da minha nova biblioteca em Rodmell. Mas o bilhetinho é para dizer - por favor esteja aqui às 7h30 em ponto amanhã (sexta) porque queremos que você nos leve até o restaurante".

sobre "CURRENCY": Deixei em inglês a palavra "currency" para que os leitores do blog que sejam mais experientes no quesito tradução literária possam me ajudar. "Currency", que se traduz para moeda, é obviamente uma brincadeira com "accuracy", que é precisão, rigor. Creio que ela quer dizer algo como: "Meu jovem, você precisa trabalhar mais o poema". Como traduzir sem perder o trocadilho? Difícil. Alguém tem uma ideia? E é preciso dar a mesma ênfase que ela deu, quando pôs em maiúsculas.


 

Escrito por Josélia Aguiar às 07h59

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Os livros de Cortázar

 

 

Jesús Marchamalo fuçou o quanto pode os 4.500 volumes da biblioteca pessoal de Julio Cortázar, guardada na Fundação Juan March, em Madri, desde 1993.

E tinha bastante coisa para fuçar.

Cortázar praticamente conversava com as obras. Anotava frases como “Ah!”, “Ça”, “Bien!”, “Falso!”, “Penoso”, “Voilà”. Escrevia no idioma do livro: francês, espanhol, inglês ou alemão. Nas laterais e no pé das páginas, reclamava, às vezes com palavrões. Fazia parêntesis, chaves, círculos. Dentro dos volumes, esquecia desenhos, papeizinhos, cartas.

A maioria dos livros é de poesia, ficção, ensaios, biografia. Muitos de Felisberto Hernández e Federico García Lorca. E há raridades como a edição de “Ópio”, de Jean Cocteau, de quando era criança.

Os volumes mostram as marcas do dono: o quanto revirou suas páginas, dobrou-as e amassou suas pontas. Alguns, porém, parecem intocados. Em vários, encontram-se dedicatórias de gente como García Marquez, Calvino, Onetti, Octavio Paz, Neruda, Bioy Casares.

Marchamalo, que é jornalista e escritor na Espanha, com várias obras sobre livros e literatura, fez desses passeios pela biblioteca do mestre de "O Jogo da Amarelinha" o recém-publicado "Cortázar y los libros", com 112 páginas, que sai pela Fórcola Ediciones e custa 12,50 euros.

Para saber mais, três links: aqui, no "Clarín" de hoje; aqui, no site da editora, aqui, no site do autor.

 

 

Escrito por Josélia Aguiar às 19h30

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Os grandes endividados da ficção

 

Em mais um dia de noticiário aquecido com a crise da dívida dos EUA, vale lembrar de uma lista bem-humorada feita dias atrás pela "Flavorwire" com livros sobre grandes endividados.

Há os suspeitos de sempre, como "Fausto", de Goethe, "Crime e Castigo", de Dostoiévski, e "O mercador de Veneza", de Shakespeare. E há também livros menos conhecidos em português.

Vá por aqui para encontrar a lista inteira (em inglês).

Tentei pensar em grandes endividados da literatura brasileira. Riobaldo vendeu a alma também, é o nosso Fausto. E quem mais podia entrar na lista?

Escrito por Josélia Aguiar às 17h52

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Livros censurados....nos EUA

Você talvez não saiba, mas a censura a livros não ocorre apenas em países sob ditadura ou onde existe grande tradição religiosa.

É também frequente....nos EUA.  Não se trata, claro, de censura do governo. Em geral é decisão de escolas ou de bibliotecas, que resolvem, isoladamente, proibir esse ou aquele título.  

Por isso e contra isso, há desde a década de 1980 uma já famosa Semana dos Livros Censurados (vá por aqui, em inglês, para saber mais), este ano a se realizar de 24 de setembro a 1 de outubro. 

Para lembrar, publico abaixo um dos posteres que a campanha já teve, em 2007.

Lembrei de contar sobre a Semana dos Livros Censurados depois de ler essa notícia aqui, do "Guardian" (aqui, em inglês): uma escola de secundaristas no Missouri resolveu proibir livros de Kurt Vonnegut.

Em resposta, a fundação que zela por sua obra decidiu doar exemplares do título censurado.

 Trata-se de "Slaughterhouse-Five",  traduzido aqui como "Matadouro 5", uma sátira à Segunda Guerra Mundial. 

 

Escrito por Josélia Aguiar às 14h59

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Jos�lia Aguiar Josélia Aguiar é jornalista, especializada na cobertura de livros. Assina a coluna Painel das Letras, publicada aos sábados no caderno "Ilustrada".


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