Painel das Letras

por Josélia Aguiar

 

As grandes e as pequenas na Bienal do Rio

Vocês lucram com isso? "Às vezes, dá para empatar", diz um editor de grande porte, que ocupa cerca de 400 m2 na 15ª Bienal do Rio. Bienal é como festa de aniversário ou casamento. Vale pela celebração; ninguém espera recuperar em presentes o dinheiro gasto.

Essa é a nota que abre a "Painel das Letras" que saiu hoje na Ilustrada (aqui, se assinante do UOL ou da Folha).

Para as editoras independentes, pagar R$ 1.000 por metro quadrado, além de despesas com gente e envio de livros, torna a festa inviável. A disposição dos estandes também não os anima: os grandes ficam juntos, atraindo a maior parte da atenção do visitante com seus autores de best-seller e celebridades.

Inventada pelos independentes, a Primavera dos Livros é só para eles: ocorre em outubro em Osasco –com negociação ainda em andamento- e em novembro no Museu da República, no Rio.

Sobre o livro popular: A Libre, que reúne cem editoras independentes, aprovou o projeto do livro popular, a R$ 10, anunciado pela presidente Dilma Rousseff na abertura da 15a Bienal, na última quinta.

Mas há preocupações, dirá a Libre em carta a ser enviada ao MinC e à Fundação Biblioteca Nacional.


Uma delas: o governo deve estimular a bibliodiversidade, se necessário adotando medidas para equilibrar a participação das editoras. A adoção de faixas de preços diferentes, de R$ 15 e R$ 20, pode ampliar o número de livros ofertados sem prejuízo da ideia central de baratear o preço final, conclui a Libre.

Pior que o fim do sonho:  Não há mais churros (!) na Bienal do Rio. Acabaram-se em todos os carrinhos. O caminhão do fornecedor (?) se atrasou na estrada (?), me disseram funcionárias agora à noite.

Do colega Roger Modkovski, via Facebook, após ler a minha mensagem: "Pra quem vaticina o fim do livro, um recado: o churros acabou antes..."

 

 

Escrito por Josélia Aguiar às 22h33

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Quem vai ser o blockbuster da 15a Bienal do Rio?

 

.

 

Você ja viu isso, eu também já vi. Cenas de filas compridíssimas de crianças e adolescentes para pedir autógrafos durante as Bienais de Livro.

 

Quem vai ser o blockbuster da 15a Bienal do Rio?

O autor de “A Cabana”, William P.Young?

Hilary Duf, superstar que estreia com “Elixir”?

 

A maioria dos palpites elege os veteranos Mauricio de Sousa e Ziraldo, que lançam livros sós e juntos, por diversas editoras, e também para tablets _a capa acima é de um novo título de Ziraldo para iPad que sai pela Melhoramentos.

 

Parecem ser os autores com agenda mais carregada: são várias sessões de autógrafos, em estandes diferentes, em horários diferentes.

 

Para quem não sabe: durante as manhãs, a Fundação Biblioteca Nacional promove colóquios internacionais sobre livro, leitura, e-books, tradução no exterior.

Por aqui, você encontra horários e convidados. 

 

À tarde e à noite, nos Cafés Literários, há autores de peso para tratar de literatura. Vá por aqui para ver a programação completa.

 

Escrito por Josélia Aguiar às 15h58

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

"Sex", de Madonna: o mais procurado nos sebos

A cada ano, o site Book Finder faz uma lista de livros mais procurados em sebos. "Sex", álbum com imagens lançado por Madonna em 1992, continua a ser o líder.

Nos dez primeiros lugares, há dois livros de Stephen King, o "Codex Seraphinianus", de Luigi Serafini, e a autobiografia de Johnny Cash.

Vi na "Flavorwire" (aqui, em inglês).

Vá por aqui para ver a lista completa.

Escrito por Josélia Aguiar às 08h08

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Retratos de autores

Depois de postar abaixo a foto impressionante de Nabokov, me lembrei do quanto é difícil encontrar boas imagens de autores.

Na época em que editava a "EntreLivros", sofríamos bastante. Às vezes a edição estava toda fechada, mas ainda era preciso buscar retratos --e nem era por capricho, preciosismo. Às vezes não tinha retrato algum.

Há autores, claro, que nos deixaram imagens incríveis. Desses, o blog Tartuffe´s Folly (vá por aqui) reúne álbuns gigantescos. Coisa de centenas de imagens. E não só de escritores e poetas. Muitos álbuns contêm imagens de temas relacionados a artes, design e livros.

Pesquei três delas, abaixo. Uma foto de Gertrude Stein, outra de Rilke, uma ilustração de García Lorca.

Escrito por Josélia Aguiar às 20h55

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

100 livros de não-ficção

Da série: listas que americanos e ingleses adoram fazer.

Vá por aqui para ver aquela que a "Time" preparou com os cem mais importantes livros de não-ficção desde 1923.

Pelo título abaixo, nota-se que a lista pode estar ligeiramente parcial e datada.

  

Escrito por Josélia Aguiar às 20h08

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Uma Clarice, um Matisse

 

 

Essa é a capa da edição francesa de "Perto do Coração Selvagem", publicada pela editora Plon em 1954.

A ilustração é de Henri Matisse, em seu último ano de vida.

Quem enviou essa imagem ao blog foi Benjamin Moser, autor de ",Clarice", biografia da autora que saiu pela Cosac Naify.  

Dono da maior Brasiliana de toda Utrecht, Moser encontrou a edição, raríssima, em sua própria estante.

 

 

Escrito por Josélia Aguiar às 11h01

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Um Nabokov em 1972

Vladimir Nabokov, pelas lentes de Lord Snowdon, 1972.

Vi a fotografia no mural da "Inimigo Rumor", revista de poesia: adicionem/sigam-na no Facebook, pois tem sempre muita coisa bacana. 

Escrito por Josélia Aguiar às 10h49

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Apps para crianças: deformam ou não deformam?

 

 

Foi tão inesperado quanto relevante o barraco literário entre os argentinos Beatriz Sarlo e Alberto Manguel, hoje cidadão canadense, e a britânica Kate Wilson, que participavam do debate na sexta passada, último dia da 14a Jornada de Passo Fundo.

 

A cizânia mal terminara, quando fiz muito rapidamente o texto que entrou no ar na Folha Online (vá por aqui, se ainda não sabe o que ocorreu). Escrevo aqui coisas que só pude pensar um pouco depois.

 

Manguel e Sarlo, para quem não os conhece, são dois ensaístas de peso em suas respectivas áreas. Manguel escreveu livros sobre leitores e leitura e preparou antologias diversas; Sarlo é uma importante crítica da cultura e da política, com obras de referência para quem estuda esses temas.

 

Kate Wilson era a visitante menos conhecida: há mais de duas décadas é editora de livros infantis. Ano passado, fundou a sua própria casa editorial, em que começou a fazer os primeiros “apps”, diminutivo da palavra “aplicativo”, em inglês. Trata-se de “livros” que rodam em tablets, como o iPad.

 

A briga começou logo depois que Kate apresentou seu app de "Cinderela" (imagem acima). Para ver mais, vá por aqui (site oficial). Ou vá por aqui para assistir ao vídeo (no youtube).

 

Quero ressaltar três coisas que me parecem muito importantes.

 

A primeira: tratava-se de um debate sobre formação de leitores. Não se discutia o livro do futuro para quem já é alfabetizado, adulto. Ou sobre as experimentações áudio-lítero-musico-tecnológicas que podem ser feitas no formato por autores seja de qual ramo artístico.

 

Na conversa, os debatedores deveriam falar sobre o que é importante para fazer com que crianças aprendam a ler; sobretudo aprendam a gostar de ler.

 

A segunda coisa a ressaltar: não me parece inteligente dizer que o furdúncio só ocorreu porque havia, de um lado, “intelectuais”, e, de outro, alguém de “business”. Uma pena, mas, como diz uma amiga minha, aqui no nosso país há o estranho hábito de usar o adjetivo “acadêmico”  como algo pejorativo, e assim vivemos atavicamente, sem refletir sobre nossa sociedade.

 

Para Manguel, que citava estudos sobre desenvolvimento e funcionamento do cérebro, aquele tipo de estímulo “deformaria” leitores, e não os “formaria”.

 

Sarlo, conhecida por apreciar experiências literárias e artísticas de vanguarda, se concentrou na crítica da obra, que lhe pareceu atrasada algumas décadas por seu design kitsch e seu conteúdo “a-histórico” –trata-se de um argumento que ela tem desenvolvido em algumas de suas obras.

 

A terceira: no convívio com gente da área de livros, imprensa e tecnologia, noto que muitas vezes se aceita acriticamente algo mal-feito, ruim, atrasado do ponto de vista estético ou literário, só porque é "novo" tecnologicamente. 

 

Reproduzo abaixo alguns dos comentários que amigos e colegas fizeram via Facebook.

Como eram comentários privados, vou deixá-los sem identificação. 

 

 

De um colega que é da área de marketing e publicidade e esteve à frente de grandes agências e empresas: “Fiquei com vontade de ver esse app pra ter minha própria opinião. Penso que toda forma de narrativa é válida. Mas quando ele fala de pobreza de discurso para crianças eu me preocupo. Se atá os livros estão virando games, espero que ao menos contem histórias boas.”

 

De um colega jornalista “nerd” que adora tudo que é tecnológico e é sempre o primeiro a aderir aos gadgets: "“Há espaço para todos, desnecessária essa polêmica. Mas concordo que é necessário investir no aprendizado do idioma e não apenas em entreter as crianças. Cabe a cada pai orientar seus filhos e acompanhar seu desenvolvimento.”

 

De uma amiga que tem doutorado na área de letras e conhece bastante artes e design: "Apps infantis são jogos, muitas vezes lindos, educativos, edulcorados, coloridos, entretenimentos bacanas. Mas capazes de horrorizar o Manguel e a Sarlo.”

 

De uma amiga psicóloga que faz doutorado em educação e há duas décadas atua na formação de crianças: "Bastante sério! Parece refletir exatamente a discussão que tem rondado a alfabetização de pequenos. É o embate que envolve a seriedade na produção de bons textos - pense-se aí não só em seus valores estéticos, mas conteúdo e linguagem que possibilitem formação de trama mnêmica, relações intertextuais, intervalos vazios que permitam a criação de fantasias, entre outras - e uma certa tendência consumista de produzir um 'mundo rico de estímulos' em que os resultados são pré-dirigidos e pré-visíveis. Estes últimos não servem à formação de leitores e escritores, mas à de consumidores. O debate é longo."

 

 

 

E você, o que pensa disso?

 

Escrito por Josélia Aguiar às 11h29

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Vende-se: a casa de Elizabeth Bishop

Não consigo pensar num lugar mais bonito para morar: Elizabeth Bishop viveu nessa casa do século 17 na Ouro Preto das décadas de 1960 a 1970.

Está à venda na Sotheby´s por RS$ 3,8 milhões (aqui, para ver mais imagens e ter mais informações sobre o imóvel).

Completam-se cem anos de nascimento da poeta americana; aqui, você lê um poema, aqui, reportagem do colega Fabio Victor que saiu na Ilustrada; aqui, texto de Benjamin Moser, biógrafo e tradutor de Clarice para o inglês, publicado na Ilustrissima.

Escrito por Josélia Aguiar às 15h12

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Um evento ou uma jornada?

 

 

“O que você está fazendo aí?”: essa foi a pergunta que amigos e colegas me fizeram, por telefone ou internet, quando lhes dizia que estava em Passo Fundo (RS) na semana passada, a cinco ou seis graus de temperatura. “Com um frio desses? Está de castigo?”, comentou um deles, fanfarrão.

 

A Jornada de Passo Fundo tem três décadas mas só nos últimos anos começou a aparecer na mídia além das divisas gaúchas. Ainda é pouco lembrada por essas bandas de cá, mesmo entre gente da área.

 

“Eventos como a Flip ajudaram a torná-los mais conhecidos?” “Nós somos mais antigos”, me respondeu meio brava Tânia Rösing. “Os outros é que estão fazendo depois de nós.”

 

Pode-se compreender a razão da braveza. A idealizadora e até hoje a maior responsável por fazê-la existir a cada dois anos  não gosta, por exemplo, que chamem aquilo que ela realiza de “evento”. “Evento, não! Jornada!”, frisa. Apesar de ter tanta tradição, ainda é a fórceps, pelo que pude entender, que ela consegue apoio; e por isso a lista de apoiadores é tão extensa, para reunir dinheiro de quinhão em quinhão.

  

Trocar a palavra para “evento”  tornaria a “jornada” algo mais comercial ou superficial do que pretende ser. Estudantes da cidade leem e discutem em sala de aula os livros dos autores convidados, como parte dos preparativos. Seus organizadores atribuem a essas atividades o maior índice de leitura na cidade –6,5 livros ao ano por habitante, contra 4,8 de média nacional. Professores de todo o país vão até lá, para encontros com seus pares.

 

O evento, ops, a Jornada concentra vários seminários, simpósios e encontros em um só. Os grandes debates e conferências ocorrem sob a lona de um circo, montado no campus da Universidade de Passo Fundo. Os outros, nas salas da instituição. Em um, por exemplo discute-se formação de leitores. De outro, participavam os imortais da Academia Brasileira de Letras --o dado picaresco foi que, na quinta, dois deles se perderam no aeroporto e não conseguiram chegar a tempo; improvisou-se uma substituição na virada da noite. Na Jornadinha – “as outras todas nos copiaram!”, ressalta Tânia--, há uma programação voltada para crianças.

 

Quem é o público? Algumas milhares de pessoas, a maioria estudantes e professores de letras da cidade e arredores. Os números oficiais dizem 25 mil; 14 mil livros vendidos. Sempre que as luzes estavam acesas no circo, eu olhava para frente e para trás e calculava, por alto, uma frequência feminina que beirava os 90%.

 

 

O jeitão de festa do interior –para o benefício ou prejuízo do evento-- é o que chamava mais atenção dos visitantes de cidades maiores, como São Paulo e Rio de Janeiro. Nos bastidores, entre as queixas, comentava-se que muitos dos grandes debates abarcavam temas abrangentes demais, reuniam muita gente no palco de uma só vez, e os convidados brilhantes às vezes desapareciam em meio a celebridades locais.

 

Mas ninguém quer criticar a Jornada, que tem como grande diferencial a altiva missão de formar o novo leitor. Prevalece a simpatia e ficam os votos para que Tânia Rösing tenha cada vez mais ajuda.

 

Na "Painel das Letras" que saiu no último sábado, leia mais sobre Passo Fundo (aqui, se assinante do UOL ou da Folha).

Escrito por Josélia Aguiar às 13h39

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Escritores e críticos: 2 encontros em SP

Vai ter reedição, em dezembro deste ano, o grande debate sobre crítica literária que o Itaú Cultural realizou em 2008, como informo na "Painel das Letras" que saiu ontem na Ilustrada (aqui, se assinante da Folha ou UOL). 

 

Convidados já confirmados que participavam da 14ª Jornada de Passo Fundo (RS), na última semana, conversaram sobre o tema nos intervalos do evento gaúcho.

Entre os estrangeiros, vêm ao Brasil os críticos e ensaístas Marjorie Perloff (EUA), Berthold Zilly (Alemanha), Mario Perniola (Itália), Leonor Arfuch e Josefina Ludmer (Argentina).

 

Os escritores David Toscana (México), Gonçalo M. Tavares (Portugal) e Martín Kohan (Argentina) também estão confirmados. O evento tem curadoria de Selma Caetano e de Maria Esther Maciel.

 

Semana que vem, para quem ainda não sabe, ocorre no mesmo Itaú Cultural um encontro de escritores brasileiros.

 

Mais de 50 escritores participam das onze mesas, que ocorrem a partir das 15h, nos dias 7, 8 e 9. Entre eles, há Rubens Figueiredo, Marçal Aquino, Ronaldo Correia de Brito,  Joca Terron, Daniel Galera, Luiz Vilela, Fernando Bonassi, Carola Saavedra, Bartolomeu Campos de Queirós, Miguel Sanches Neto. A curadoria é de Claudia Nina e Tiago Rosenberg.

 

Para ver a programação completa, vá por aqui.

 

 

Escrito por Josélia Aguiar às 11h23

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Jos�lia Aguiar Josélia Aguiar é jornalista, especializada na cobertura de livros. Assina a coluna Painel das Letras, publicada aos sábados no caderno "Ilustrada".


RSS

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.