Painel das Letras

por Josélia Aguiar

 

Três grandes livrinhos raquíticos

Assisto desde ontem ao encontro de escritores promovido pelo Itaú Cultural em São Paulo (aqui, sobre o evento e outro, em dezembro). Depois vou fazer um post grande sobre as mesas que pude acompanhar.

Este aqui é para registrar os três grandes livrinhos raquíticos que Ronaldo Correia de Brito --de "Galileia" e "Retratos Imorais"-- citou há pouco, quando a mesa debatia se os livros brasileiros eram finos demais para ser traduzidos no mercado alemão, onde há preferência por romances de maior fôlego.

 

 

"Pedro Páramo", de Juan Rulfo: como lembrou Correia de Brito, Borges dizia que toda literatura latino-americana que se escreveu depois é herdeira desse livrinho. A edição acima, da Record, tem tradução de Eric Nepomuceno.

 

 

"O Capote", de Gógol: os grandes autores clássicos russos atribuíam à obra grande influência,  ressaltou Correia de Brito. A que destaquei acima é da Editora 34, traduzida por  Paulo Bezerra.

 

"Vidas Secas", de Graciliano Ramos: o livrinho famélico que influenciou toda a geração de ficcionistas do Nordeste em sua época, como lembrou o autor.

 

Entre grandes livrinhos, me veio à cabeça "Bartleby", de Herman Melville  --de que Borges também gostava muito.

E você, leitor, de qual se lembra? 

 

Escrito por Josélia Aguiar às 17h06

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20 capas memoráveis

 

A escolha é da "Flavorwire", que incluiu apenas edições americanas.

Vá por aqui para ver a lista completa.

Pesquei cinco, abaixo.

"O Grande Gatsby", de F. Scott Fitzgerald.

A capa é de Francis Cugat, 1925.

"A Laranja Mecânica", de Anthony Burguess.

A capa é de David Pelham, em 1962.

"A Sangue Frio", de Truman Capote.

A capa é de S. Neil Fujita, em 1966.

 

"O Apanhador no Campo de Centeio", de J. D. Sallinger.

A capa é de  E. Michael Mitchell, 1951.

"O Homem Invisível", de Ralph Ellison.

A capa é de  Edward McKnight Kauffer, 1952.

Escrito por Josélia Aguiar às 10h19

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Como escolher o que comprar na Bienal do Rio

Não, este post não vai indicar este ou aquele título.

O que vou dizer aqui será obvio para muitos leitores do blog; mas sei que há muitos que ainda não perceberam isso. 

Antes de você se perder naquele labirinto de ruas e estandes da Bienal do Rio, ou de qualquer outra Bienal, vale a pena ver pelo mapa onde estão as editoras que publicam os livros de que gosta.

Editoras têm perfis diferentes, seus catálogos refletem suas escolhas. Claro, algumas são tão grandes que comportam vários catálogos; outras, menores, são bastante especializadas. E há as que começaram a bagunçar tanto o próprio catálogo que não se sabe mais o que esperar.

Para quem gosta daquilo que se costuma chamar de "alta literatura" ("ficção literária", como se diz no mercado, mas me parece uma expressão esquisita): alguns exemplos são Companhia das Letras, Cosac Naify, Alfaguara, Editora 34, Estação Liberdade, Nova Fronteira, Iluminuras. Publicam, por exemplo, autores clássicos ou contemporâneos de varios idiomas.

Best-sellers juvenis ou aqueles chamados "românticos": há, entre outros, Record, Leya, Intrínseca, Novo Conceito, Arqueiro (selo da Sextante), iD (selo da Moderna).

Quem é da área de humanidades deve estar acostumado com livros da Zahar, Martins Fontes, Civilização Brasileira (do grupo Record), Boitempo.

Selos infantis: entre vários, lembro aqui da Cosac Naify, Melhoramentos, DCL, Companhia das Letrinhas, Periópolis, cada qual com seu estilo.

Ficção nacional: Alfaguara, Record, Companhia das Letras estão entre aquelas que publicam os autores daqui.

Existem nichos ocupados com dedicação por algumas editoras: a do Senac, por exemplo,  tem um grande catálogo de fotografia, gastronomia e moda. A Cosac Naify nasceu e até hoje é conhecida como editora de livros de arte. A Estação Liberdade ficou conhecida por sua publicação de autores japoneses de diversas épocas. As universitárias --Edusp, Editora da Unesp, entre outras-- têm catálogos muito bons de humanidades e/ou teses publicadas por seus pesquisadores.

Uma vez na Bienal, não deixe de visitar os estandes das pequenas editoras: talvez ocupem examente o nicho que mais lhe agrada ou lhe apresentem algo muito novo, às vezes apostas que as grandes não costumam fazer porque as vendas serão menores. 

Escrito por Josélia Aguiar às 14h04

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Um pouquinho de greguerias

Às vezes um autor de que não se ouve falar fazia tempo aparece mais de uma vez em dias próximos.

Escutei na Bienal do Rio no domingo uma das greguerias de Ramón Gómez de la Serna, nascido em Madri e morto em Buenos Aires nas primeiras décadas do século 20.

Pois não fazia duas semanas que encontrara um link para um punhado delas na revista digital "Errática" com seleção e tradução de Sérgio Alcides.  Até tinha pensado em indicar o link, e agora chegou a ocasião: é este aqui. Na mesma "Errática", há um texto sobre Ramón, também de Sérgio Alcides.

Ramón não gostava de definir como "aforismos" suas formas breves que combinam humor e metáfora.

As greguerias, como decidiu chamá-las, são “exclamações fatais das coisas e da alma ao tropeçarem entre si por puro acaso”.

 

A lua é um banco de metáforas falido.

O grilo mede as pulsações da noite.

O sonho é um depósito de objetos extraviados.

Certos suspiros comunicam a vida com a morte.

A idiossincrasia é uma enfermidade sem especialista.

A fatalidade arrasta a lua pelos cabelos.

Morreu: casou com o cipreste.

O mapa-múndi nos serve o mundo como um par de ovos fritos.

 

Mais greguerias aqui e aqui, na tradução de Jorge Silva Melo publicada pela Assírio & Alvim.

E outras aqui, no espanhol de Ramón.

 

Escrito por Josélia Aguiar às 11h34

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Escritores tratam do 11/9 na nova "Granta"

Saiu a edição de setembro da britânica "Granta", uma das mais influentes revistas literárias do mundo. O novo número é dedicado à passagem dos dez anos do  ataque às torres gêmeas (aqui, em inglês).

Vá por aqui para baixar no Kindle, da Amazon. Não tenho Kindle, mas consigo baixar por um aplicativo chamado "Kindle for PC", para ler no notebook.

A "Economist" publicou resenha (aqui, para ler em inglês).

Escrito por Josélia Aguiar às 13h44

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"Emília" e "Metáfora", duas novas revistas literárias

Duas novas revistas surgem este mês, como informei na "Painel das Letras" do último sábado.

"Emília" é o nome da revista on-line sobre leitura para crianças e jovens que acaba de entrar no ar. Vai ter atualização semanal e mensal. Eventos e publicações ocorrem a partir de 2012. Vá por aqui para chegar até lá.

"Metáfora" é a revista bimestral sobre literatura e técnicas de escrita que chega às bancas no próximo dia 12.  Será publicada pela editora Segmento, a mesma de "Língua Portuguesa", já com seis anos de existência.

No mural do poeta Claudio Daniel no Facebook, vi agora que a Abralic, a associação brasileira de literatura comparada, põe no ar, de graça, números de sua revista a partir de 2008.

 Vá por aqui para chegar até lá.

Faz tempo que quero escrever sobre o "Rascunho", de Curitiba. Fica para outro post.

Na época da Flip, disse aqui que uma edição brasileira da "Letras Libres"  está a caminho. A revista digital é mexicana e tem também versão espanhola. Assim que tiver mais notícias, conto aqui.

 

Escrito por Josélia Aguiar às 11h22

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Entre tantos títulos

De Juan Gelman, 81, publiquei esta frase numa "Painel das Letras" de fins de maio: "Há tantos títulos, tantas tentações à venda, que eu mesmo não consigo comprar nada e me admiro do leitor que visita uma feira de livros". 

Encontrei a frase do poeta argentino no vídeo que abria a cobertura digital do jornal "El País" durante a 70ª Feira do Livro de Madri.

Engraçado, mas é como sempre me senti. Compro livros o mês inteiro, em livraria ou por internet. Numa feira de livros, minha paralisação é proporcional ao seu tamanho em gente, filas e barulhos. Às vezes, porém, acontece de escolher um título, algum que não esteja na lista do que quero comprar em breve ou um dia, um livro que surge na minha frente e me leva até o caixa. Em geral um livro que não é lançamento, de autor que não está dando autógrafos e que para ser levado prescinde de fila.

Ontem este aqui surgiu na minha frente enquanto esperava a hora de entrar num dos Cafés Literários da 15a Bienal do Livro carioca. "Autos" de que me lembro ainda da época de escola, que podia encontrar na internet, pois é do século 16 e está em domínio público, com uma capa que me parecia familiar de algum modo.

 

Escrito por Josélia Aguiar às 10h06

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Jos�lia Aguiar Josélia Aguiar é jornalista, especializada na cobertura de livros. Assina a coluna Painel das Letras, publicada aos sábados no caderno "Ilustrada".


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