
Para quem gosta de poesia: post rapidinho para deixar quatro links.
Na Ilustrada de hoje, textos de Paulo Werneck sobre a edição de livros de poesia: "Coleções de poesia confirmam nova tendência editorial" (vá por aqui) e "Editar bem poesia é aceitar editar antimercadoria" (vá por aqui). Os dois links estão abertos para não-assinantes.
Fabio Victor, na Ilustrada, trata dos saraus da Cooperifa (vá por aqui).
Tem também a "Painel das Letras" que sai na edição de sábado da "Ilustrada" (vá por aqui, se assinante do UOL ou da Folha). No texto que abre a coluna, conto sobre a publicação, pela Hedra, da chamada "edição do leito de morte" de "Folhas da Relva", de Walt Whitman __capinha acima é da primeira edição, de 1855, que pesquei do Facebook de Mauricio Machado (@Mr_Machado, no twitter), sempre plurinformativo e plurinspirado.
ATUALIZAÇÃO ÀS 14h40: Está aberto também link com entrevista que Fabio Victor fez com Chico Alvim sobre seu novo livro (vá por aqui).
Escrito por Josélia Aguiar às 13h05

"Dia D" no calendário brasileiro, a partir de agora, não vai ter nada a ver com o desembarque na Normandia.
Assim como o 16 de junho é o "Bloomsday", em honra a James Joyce (tratei disso aqui e aqui), o 31 de outubro será dedicado a Carlos Drummond de Andrade, como informou o colega Fábio Victor em longa reportagem na Ilustrada faz uns dias (aqui e aqui, se assinante da Folha ou do UOL). A iniciativa é do Instituto Moreira Salles, guardião do acervo do poeta de Itabira desde o ano passado.
Novas edições e reedições fazem parte do cronograma de casas editoriais brasileiras daqui até o ano que vem, quando Drummond é o homenageado da FLIP - Festa Literária de Paraty.
O breve post é para dizer que alguns desses livros já começaram a sair.
"Poesia Traduzida" reúne versos de poetas estrangeiros que Drummond fez chegar ao português. O volume é organizado por Augusto Massi e Júlio Castañon Guimarães para a Cosac Naify. Castañon fez para o blog da editora um texto sobre Drummond tradutor (aqui). Na "Cult" deste mês, Leonardo Froes também escreve sobre o novo volume (aqui).
Mês que vem, mais dois títulos estão programados pela Cosac Naify: "Confissões de Minas" e "Passeios na Ilha", ambos de crônicas.
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Deixo mais uma indicação de texto para ler e alguns versinhos.
O texto, que faz meses quero indicar aqui, é de Élvia Bezerra, do IMS, sobre a edição de "Estrela Solitária", de Manuel Bandeira, que encontrou no acervo de Drummond (aqui).
Os versinhos, anotados na caderneta cuja imagem você avista no alto do post, Drummond fez para Maria, filha da poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen:
Conhecer de retrato é conhecer
uma criatura sombra de outra, apenas?
Ou será que em instantânea descoberta,
Maria,
as almas passam na fotografia?
A tua vislumbrei, e ela sorria.
Publiquei o poeminha na minha estreia na "Painel das Letras" em 29 de janeiro deste ano.
Essa e outras dedicatórias feitas por Drummond integram agora o volume "Versos de Circunstância", que o IMS já colocou nas livrarias em junho.
Escrito por Josélia Aguiar às 16h20

Anos atrás, enfiada num antigo sebo da rua Chile onde procurava por outra coisa, avistei um exemplar da primeira edição. Custava milhares de reais na época.
O estabelecimento é conhecido em Salvador por suas exorbitâncias, mas essa, duvido que causasse estranheza em quem sabia do que se tratava.
A segunda e última vez que vi uma primeira edição foi em São Paulo, no lançamento de outro livro, também sobre comidas, do sociólogo Carlos Alberto Dória _que tem o ótimo e por vezes polêmico blog E-Boca Livre (vá por aqui).
Assim que reparou meus olhos assombrados, Dória, rápido e fanfarrão, retirou de perto de mim o exemplar que recebera de presente de um dos convidados. E então me reconheci como parte de uma restrita e secreta confraria, a de querinólogos. Querinólogos?
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Manuel Querino (1851-1923) é, por vários motivos que não cabem nesse post breve, o pioneiro dos movimentos de valorização das culturas negras no Brasil _veja que usei bastante o plural, por vários motivos que também não cabem neste post breve.
Na Bahia dos primeiros anos do século 20, Querino fez (entre várias coisas, pois o homem era produtivo) uma etnografia culinária sem saber o que seria isso. Conversou com africanos pedindo para descrever como preparavam pratos que eram usados naquela época somente nos rituais sagrados.
Seu inusitado livro de receitas --e isso não era moda naquele tempo-- só foi publicado depois de sua morte, no finalzinho da década de 1920, quando a Bahia começava a aceitar seu tão grande aporte africano _até aquela data, as festas no Campo Grande eram à inglesa, e não é metáfora. Tenho fotos, também raras, das tais "garden parties": senhores e senhoras metidos em trajes europeus que deviam fazer muito calor, sentados em cadeiras apropriadas no jardim e com chá na mão.
Não é uma data qualquer a da reedição do livrinho: década de 1950, quando a Bahia virou enfim a Bahia que se conhece hoje. As receitas já tinham saído dos terreiros para chegar às cozinhas. Dendê já era ingrediente tão comum quanto sal. Motivada por leitores que queriam ler sobre culturas negras, uma editora chamada Progresso colocou nas livrarias pesquisas antigas e novas. Querino estava no meio.
A WMF Martins Fontes anuncia agora sua terceira reedição. Nesse intervalo grande, é possível que alguma editora tenha publicado o livro, mas não consigo confirmar.
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Querino continua a ser um grande personagem à espera de uma grande biografia _existem, sim, dois livros muito breves sobre sua vida, muita pesquisa acadêmica concentrada na sua obra e, claro, o romance "Tenda dos Milagres", o preferido de seu autor, Jorge Amado, que se inspirou nele para criar o protagonista, Pedro Archanjo.
Adendo 1: Experimente reler o texto, leitor, sabendo agora que Querino era negro.
Adendo 2: "Curta" Manuel Querino no Facebook, tem página dedicada a ele por lá http://www.facebook.com/manuel.querino
Adendo 3: O leitor não faz ideia do quanto os querinólogos gostam que o título seja "na Bahia" e não "da Bahia"!
ATUALIZAÇÃO ÀS 22H : Na Brasiliana-USP, você encontra a primeira edição, de 1928.
Só agora li a bonita história publicada hoje por Luiz Shwarcz sobre Jorge Amado (cita "Tenda dos Milagres"), autor que hoje edita. Vá por aqui para ler, no blog da Companhia das Letras.
Escrito por Josélia Aguiar às 11h47

Preciso ainda pôr no ar uns cinco ou seis posts já prometidos, mas este, muito rápido e ligeiramente atrasado, é para dizer que faz tempo que não fico tão curiosa para ver um filme: esse "Fausto" que deu agora o Leão de Ouro a Alexander Sokurov, o mesmo de "Arca Russa" -- vá por aqui, onde há breve sinopse no site do Festival de Veneza.
Pelo que entendi, estreia por aqui em dezembro.
Escrito por Josélia Aguiar às 23h47
A dica chegou ao blog por Juliana Doretto, uma jornalista que gosta de livros e mora hoje na cidade onde nasceu Kafka.
A revista "The Atlantic" publicou perfil de Adolf Hoffmeister (1902-1973), artista da avant garde theca. Era ilustrador, cartunista, dadaísta, político e, talvez antes de tudo, dissidente (aqui, em inglês, o texto completo).
"The Animals are in Cage" é o título do álbum que ele publicou em Nova York assim que conseguiu chegar até lá, no começo da década de 1940, depois de seu período preso num campo de concentração. "The Unwilling Tourist" é o título na Inglaterra. Está esgotado; pode ser encontrado em sebos internacionais, se você procurar muito.
Pesquei do álbum da "Atlantic" algumas das ilustrações, abaixo.




Você conhece os desenhos de Kafka? Veja aqui o post do blog.
Escrito por Josélia Aguiar às 09h56
Alberto Martins, com "Em Trânsito", Gonçalo M. Tavares, com "Uma Viagem à Índia", e Rubens Figueiredo, com "Passageiro do Fim do Dia", estão na lista de dez finalistas que o Prêmio Portugal Telecom anuncia amanhã, quarta-feira.
Os três foram os mais votados, como apurei com os jurados que decidiram na tarde de hoje; o júri que define o vencedor, em novembro, pode fazer outras escolhas, mas o mais provável é que seja escolhido um desses três, ou que ao menos fiquem nas três primeiras posições.
Tavares já venceu o Portugal Telecom em 2007, com "Jerusalém". Martins ficou em segundo lugar em 2006, com "História dos Ossos". Rubens Figueiredo levou este ano o Prêmio São Paulo de Literatura na categoria romance.
O Prêmio Portugal Telecom é realizado desde 2003. Contempla autores de países de língua portuguesa que tenham sido publicados no Brasil.
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Sou uma das quase duas centenas que fazem parte do júri inicial: fico contente de ver que três dos que votei estão entre os finalistas.
Lembro-me que em 2005, quando li "História dos Ossos", de Alberto Martins, era minha primeira semana na revista "EntreLivros". Pensei: "Se todos forem assim, será um bom ano". Nem todos, claro, foram como aquele.
Outro orgulho que sente quem gosta de livros e tem a sorte de trabalhar com eles: publiquei longa entrevista com Gonçalo M. Tavares na "EntreLivros" muito antes de ele ser "descoberto" por aqui e, pouco depois, em outra edição da revista, escolhi "Jerusalém" como livro do mês. Era comecinho de 2007.
Gostei muito também do livro de Rubens Figueiredo quando o li no começo deste ano. E me preocupava porque, até aquela altura, achava que merecia ser mais comentado do que era.
Escrito por Josélia Aguiar às 19h06
A primeira notícia é nova, as outras duas são comentadas faz tempo e vale relembrá-las.
A Amazon negocia com editoras nos EUA uma parceria para oferecer serviço semelhante ao Netflix, por meio do qual o leitor terá acesso a uma biblioteca ao pagar assinatura anual. Quem informa é o “Wall Street Journal”, citando executivos que participam das conversas (aqui, em inglês).
Não é novidade, para quem acompanha esse mercado, que a gigante de varejo online deve lançar dentro de semanas um tablet que vai concorrer com o iPad.
Custará US$ 250. Terá tela colorida e vai rodar o Android, sistema operacional do Google, informou o TechCrunch, que até testou o aparelho (aqui, em inglês).
Faz tempo que demos a notícia sobre o flerte da Amazon com o mercado de livros brasileiros –aqui, na "Painel das Letras" de fins de junho.
A canadense Kobo também quer entrar no país _aqui, como também informou a coluna no comecinho de julho.
Escrito por Josélia Aguiar às 17h28
É do poeta e tradutor Paulo Henriques Britto a lista deste post.
Não são dez, mas onze livros: como não há rigor científico nessas listas, acatei. E se for pensar bem, há mais do que onze, pois há vários "obra completa" aí, além de todos os volumes de "Em Busca do Tempo Perdido".
Ainda bem que os autores responderam ser ter visto as listas uns dos outros; ia ser praticamente impossível ter uma lista apenas com dez.
"Obra Poética" - Fernando Pessoa
"Balanço da Bossa" - Augusto de Campos (org.)
"Reunião" - Carlos Drummond de Andrade
"Obra Completa" - Machado de Assis
"A Interpretação dos Sonhos" - Sigmund Freud
"Contos Reunidos" - Frank Kafka
"O Jogo da Amarelinha" - Julio Cortázar
"Em Busca do Tempo Perdido" - Marcel Proust
"The Collected Poems" - Wallace Stevens
"Antologia Poética" - João Cabral de Mello Neto
"Tractatus Logico-Philosophicus" - Ludwig Wittgenstein
Britto nasceu no Rio de Janeiro (1951). Publica desde a década de 1980. É autor de, entre outros, "Macau" (2003), vencedor do Prêmio Portugal Telecom, e "Tarde" (2007). É tradutor de, entre outros, Elizabeth Bishop --vá por aqui para ver o poema da poeta americana que ele sugeriu para outra seção do blog.
Veja as listas de Cristovão Tezza, Thiago de Mello, Milton Hatoum, Francisco Alvim, Moacyr Scliar, Michel Laub, Carola Saavedra, Daniel Galera, Ricardo Lísias, Joca Terron, André Sant´Anna, Antonio Prata, Ronaldo Correia de Brito.
Escrito por Josélia Aguiar às 10h31
Faz tempo (muito tempo!) que não publico as "estantes afetivas" aqui. E por isso hoje serão duas.
A lista abaixo é de Ronaldo Correia de Brito, nascido no Ceará (1951) mas radicado em Pernambuco. Quase sempre é apresentado como "pernambucano" --acho que é como prefere. Foi dele o mote para este post sobre os três livrinhos raquíticos que, parece, agradou a tantos leitores.
"Grande Sertão: Veredas" - Guimarães Rosa
"Crime e Castigo" - F.Dostoiévski
"Pedro Páramo" - Juan Rulfo
"Cem Anos de Solidão" - Gabriel Garcia Márquez
"O Arco e a Lira" - Octavio Paz
"O Aleph" - Jorge Luis Borges
"A Dama do Cachorrinho e outros contos" - Anton Tchecov
"Folhas de Relva" - Walt Whitman
"Macbeth" - Shakespeare
Édipo Rei - Sófocles - teatro
Veja as listas de Cristovão Tezza, Thiago de Mello, Milton Hatoum, Francisco Alvim, Moacyr Scliar, Michel Laub, Carola Saavedra, Daniel Galera, Ricardo Lísias, Joca Terron, André Sant´Anna, Antonio Prata.
Escrito por Josélia Aguiar às 10h08
Um amigo reclamou que as estantes indicadas pelo blog eram pouco modernas (aqui, post anterior).
Daí que ele me mostrou essas aqui, retiradas do blog da Lígia Fascioni (aqui) --todos os créditos para ela, que reúne vários modelos, com a ajuda de seus leitores.



"E como ficou chato ser moderno/Agora serei eterno ". CDA.
Escrito por Josélia Aguiar às 17h14


No "Wall Street Journal" deste fim-de-semana, encontrei essas e outras estantes (aqui, em inglês) _acho que só dá para comprar lá, mas vale para quem precisa de ideias.
A primeira custa US$ 2.800 na vandm.com
A segunda, US$ 3.398 na downhomechic.com.
(ok, me parecem bem caras)
Já fiz outros posts com estantes -vá por aqui, por aqui e por aqui.
Escrito por Josélia Aguiar às 11h27
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