Painel das Letras

por Josélia Aguiar

 

Os dez mais, por Marcelino Freire

A estante afetiva deste sábado é de Marcelino Freire, escritor, editor e idealizador da "Balada Literária", que chega este ano a sua sexta edição (outro post, acima, trata do evento). 

Um brevíssimo perfil: Nasceu em Sertânia (PE) em 1967, mudou-se para São Paulo no começo da década de 1990.  

Estreou com "Angu de Sangue" (2000), levou o Jabuti com "Contos Negreiros" (2005) e sua obra mais recente é "Amar é Crime" (2010), todos de contos. 

Tem um livro de aforismos com o mesmo nome de um blog que era bastante ativo, o EraOdito. Agora é autor, com Suzana Serecé, do blog Ossos do Ofídio. Entre as iniciativas como editor, a mais recente é o coletivo Edith.

Aqui sua estante afetiva:

 

“Estrela da Vida Inteira” - Manuel Bandeira
“São Bernardo” - Graciliano Ramos
“O Cão sem Plumas”  - João Cabral de Melo Neto
“Grande Sertão: Veredas” - Guimarães Rosa
“Histórias de Cronópios e de Famas” - Julio Cortázar
“Nossa Senhora das Flores” - Jean Genet
“Judas, o Obscuro” - Thomas Hardy
“A Hora da Estrela” - Clarice Lispector
“Dom Quixote” - Miguel de  Cervantes
“Metamorfose” - Franz Kafka

 


Veja mais estantes afetivas: Cristovão Tezza,  Thiago de MelloMilton HatoumFrancisco AlvimMoacyr Scliar, Michel LaubCarola SaavedraDaniel GaleraRicardo LísiasJoca TerronAndré Sant´AnnaAntonio PrataRonaldo Correia de Brito, Paulo Henriques Britto.

 

Escrito por Josélia Aguiar às 22h51

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Os dez livros mais censurados, diz a "Time"

 

 

 

 

A semana que termina amanhã é dedicada nos EUA à defesa da liberdade de expressão, como tratei aqui e aqui.

A "Time" publicou uma lista dos dez livros mais censurados  __baseia-se num levantamento da ALA, associação de bibliotecas americanas, segundo nos informa a leitora Elis nos comentários.

Vá por aqui para ver texto sobre cada livro.

São eles:

"As Aventuras de Huckleberry Finn", de Mark Twain

"Lolita", de Vladimir Nabokov

"O Apanhador no Campo de Centeio", de J.D. Salinger

A série "Harry Potter", de J.K Rowling

"O Livro de Receitas do Anarquista", de William Powell

  • "Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola", de Maya Angelou
  • "Cândido", de Voltaire

  • "1984", de George Orwell
  • "Versos Satânicos", de Salman Rushdie
  • "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley
  •  

    Para quem tiver curiosidade ainda maior sobre o tema, encontrei esse mapa imenso que mostra livros censurados em cada ponto americano.

     

    Antes que você pense que há tantos livros censurados nos EUA, devo lembrar que eles se preocupam muito em denunciar esse tipo de coisa.

    Se fizessemos uma lista por aqui, podia dar o mesmo resultado, ou algo até mais dramático. No colégio de freiras onde estudei, ninguém podia pegar na biblioteca "A Carne", de Júlio Ribeiro --esse é só um exemplo de que me lembro agora.

     

    Escrito por Josélia Aguiar às 19h07

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    Piglia no dia do tradutor

    A conferência de Ricardo Piglia, de que tratei neste post, já está no ar no site da sua editora, a Companhia das Letras.

    Vá por aqui para assistí-la na íntegra.

    Descobri o vídeo pelo ótimo blog Toda Prosa, de Sérgio Rodrigues, que também escreveu sobre Piglia.

    O dia do tradutor é comemorado hoje, dia de São Jerônimo, que no século IV traduziu a Biblia do grego antigo e do hebraico para o latim, a chamada "Vulgata."

     

    Escrito por Josélia Aguiar às 18h43

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    Esqueça o calendário com bombeiros em pose sexy. Agora tem um só com livreiros

     

    Calendários com atrizes e modelos já são batidos; daí que tem aquele que se tornou também clássico com bombeiros em poses sexies.

    Agora tem um só com livreiros e bibliotecários.

     

     

     

    Esse daí de cima é Zack, gerente de uma livraria no Soho, em Nova York. Na folhinha, corresponde a janeiro.

    Zack é um dos que resolveram mostrar num calendário para o ano de 2012 que quem gosta de livro também tem sexy appeal. 

    Vá por aqui para conhecer o projeto, cuja renda é destinada a uma ONG contra a discriminação sexual.

     

    Escrito por Josélia Aguiar às 22h31

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    A guerra de preços dos tablets

     

    Após meses de espera e boataria (uns boatos mais certos que outros), a Amazon apresentou há pouco o seu tablet que vai concorrer com o Ipad.

    Mais do que design ou peso, o que chamou a atenção no Kindle Fire (imagem acima), como se chama o aparelhinho, é o preço, menos da metade do concorrente da Apple.

    Custa US$ 199, contra US$ 499 do iPad.

    Faz poucos dias, o "Techcrunch" anunciou em primeira mão as principais características do tablet da Amazon e informou que seu preço seria US$ 250.

    Quem sabe em breve vai ser como no mundo dos celulares _você ganha o seu novo modelo de graça ao participar de algum tipo de clube de milhagem de páginas lidas.

    Vá por aqui para ler a notícia que está no "New York Times" online (em inglês).

     

    Amazon no Brasil

    Faz tempo que demos a notícia sobre o flerte da Amazon com o mercado de livros brasileiros –aqui, na "Painel das Letras" de fins de junho. Executivos da gigante mundial no varejo de livro negociam com editoras brasileiras a fim de iniciar operações aqui.

    A canadense Kobo também quer entrar no país _aqui, como também informou a coluna no comecinho de julho.

     

     

    Tablets "brasileiros"

     

    Há poucos dias, a colega Camila Fusco publicou no caderno "Mercado" esse texto aqui, em que conta o seguinte: cerca de 200 mil tablets foram vendidos no Brasil no primeiro semestre do ano, em grande medida o iPad, da Apple, e o Galaxy Tab, da Samsung (link aberto para assinantes do UOL ou da Folha).

    Vá por aqui para ler sobre a implantação de fábricas de tablets no Brasil e a expectativa de recuo de preço, queda estimada em 40%.

    Escrito por Josélia Aguiar às 16h31

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    Piglia: as loucuras da tradução

     

    Não só quem gosta de literatura, mas também de história da cultura, se divertiria muito com a conferência do escritor e ensaísta Ricardo Piglia ontem no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo.

    Piglia tratou de traduções e tradutores e de como os romances circulam jocosa e misteriosamente, vencendo geografias e idiomas.  Histórias meio malucas sobre como o "Dom Quixote" chegou até o chinês, traduzido por um homem que nada entendia de espanhol e que escutava o que lhe contara um dos leitores da obra; sobre como, em longos embates numa mesa de bar, o polonês Witold Gombrowicz, exilado em Buenos Aires, foi traduzido para o espanhol pelo cubano Virgilio Piñera, que não conhecia polonês; sobre como Borges achava o "Dom Quixote" original mal traduzido, pois preferia a versão em inglês, a que primeiro leu.

    Era para fazer um post grande, mas me censurei: me lembrei do que adverte meu orientador, de que não se deve "dizer pior" o que alguém "disse muito melhor", pois com "palavras e frases que escolheu para dizer".

    Só me resta recomendar: quem estiver no Rio nesta quarta, dia 28, não deve perder a conferência que ele fará às 19h30 no Instituto Moreira Salles.

    E leia Piglia, esse que é um dos meus escritores contemporâneos mais queridos __e já que disseram aqui que nunca declaro preferências, aproveito para declarar meu grande apreço pelo alemão W.G.Sebald, contemporâneo que morreu precocemente e de quem não tratei, veja só, nesses mais de seis meses de blog!; outras preferências devem estar mais evidentes, dada a recorrência com que tratei de alguns autores.

    O novo livro de Piglia se chama "Alvo Noturno". Um dos mais cultuados é "Respiração Artificial", que já pode ser encontrado em edição de bolso. E um recente de ensaios,  que aborda algumas das questões da conferência, é "O Último Leitor".

    Para quem quer procurar na internet: o "El País" publica textos de Piglia, parte já republicada pela "Ilustríssima", que sai aos domingos na Folha.

     

    ATUALIZAÇÃO ÀS 16h de 28/09 - Nelson Rodrigues traduziu Arthur Hailey "conhecendo apenas meia dúzia de palavras em inglês", me disse há pouco um editor de livros, no mercado há quatro décadas.

     

    Quem tiver um dos exemplares com o nome do dramaturgo nos créditos manda para cá!

    ATUALIZAÇÃO AOS 20 MIN de 29/09 - Denise Bottmann, do blog Não Gosto de Plágio, nos lembra nos comentários que é conhecida a história de que Nelson Rodrigues "traduzia" Harold Robbins (http://naogostodeplagio.blogspot.com/2009/08/pragas.html). A tradução era feita por outro, mas ele aparecia nos créditos para atrair leitores. Sobre Arthur Hailey, ela não tem registro da participação do dramaturgo em suas traduções.

     

     

     

    Escrito por Josélia Aguiar às 23h48

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    Codex o quê?

     

     

    "Codex Seraphinianus" é o que você vê acima --já tratei desse livro neste post aqui, sobre os mais procurados em sebos.

    Daí que não só já é hora de dormir, como tenho na fila vários posts e matérias mais urgentes, e o que faço?

    Vejo este link que Antonio Marcos Pereira publicou no Facebook.

    Não tive como evitar: deu vontade de pôr aqui.

    A obra é do artista, arquiteto e designer italiano Luigi Serafini --por isso o "Seraphinianus". Foi publicada no comecinho da década de 1980 e reeditada outras vezes, sempre com tiragens pequenas.

    Serafini constrói um mundo imaginário, numa narrativa que combina zoologia, botânica, etnografia, em cerca de 400 páginas, escritas em língua indecifrável e ilustradas por mais de mil imagens.

    O livro tem e teve fãs famosos, como Italo Calvino, John Cage, Tim Burton.

     

     

     

     

    Escrito por Josélia Aguiar às 23h31

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    "Crepúsculo" e outros livros censurados nos EUA

    "Crepúsculo", aquela série juvenil de vampiros, é um dos 348 títulos censurados nos EUA no último ano, segundo levantamento do "Huffington Post".

    O site fez um gráfico bacana (cujo detalhe você vê ao alto), em que se pode encontrar os dez mais censurados e os motivos dados por instituições de ensino: vá por aqui.

    A semana que começou ontem e vai até o sábado é tradicionalmente dedicada à liberdade de expressão; já tratei disso neste post aqui.

     

    Escrito por Josélia Aguiar às 16h13

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    Literatura no Brasil: vídeos com debates

    Post rápido para dizer que o Itaú Cultural já colocou no ar todas as onze mesas do último Encontros de Interrogação, de que falei nas últimas semanas.

    Vá por aqui para assisti-las.

    Escrito por Josélia Aguiar às 12h12

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    Um poema: Rilke

    Faz tempo que quero postar isso aqui. Saiu na "Painel das Letras" de fins de julho (aqui, se assinante do  UOL ou da Folha). Reproduzo a nota com acréscimos:

    Angela Lago, autora e ilustradora de livros infantis premiados, tem publicado no Facebook versos de Rainer Maria Rilke que começou a traduzir (como o que está no fim deste post, escolhido por ela para esta seção).

    Escolhe os poemas de que mais gosta entre os cerca de 400 "mais leves", diz ela, que o poeta alemão fez em francês, nos últimos anos de vida. "Rilke havia passado dez anos escrevendo 'As Elegias de Duíno'. Imagino que esses poemas foram para ele o que são os 'Divertimentos' para os músicos", compara. 


    Compartilhar as traduções pelo Facebook tem sido mais que divertimento: 
    "Recebo sugestões as mais diferentes e que me enriquecem. Acabei me correspondendo com admiradores de Rilke. Assim que traduzo alguma coisa, eles me enviam outras traduções do mesmo poema em português ou outros idiomas. Tem sido um trabalho alegre e compartilhado".

    O volume sai em 2012 pela coleção "Livros Iluminados", da editora Scipione. 

     

    ***


    Água que se apressa, que corre, — água esquecida


    que a distraída terra bebe,

    espere um minuto na concha da minha mão,

    recordação!



    Claro e ligeiro amor, indiferença,

    quase ausência indo embora,

    entre tanto chegar e tanto partir

    treme tua pouca demora.

    


    Eau qui se presse, qui court —, eau oublieuse


    que la distraite terre boit,

    hésite un petit instant dans ma main creuse,

    souviens-toi!

     

    Clair et rapide amour, indifférence,

    presque absence qui court,

    entre ton trop d'arrivée et ton trop de partance

    tremble un peu de séjour.


    Leia poemas de Joan BrossaJorge Luis BorgesHeinrich HeineNicolás GuillénFerreira GullarSaint-John Perse, Emily Dickinson, Elizabeth Bishop.

    Vá por aqui para ler um pouquinho das greguerias de Ramón Gómez de La Serna.


    Escrito por Josélia Aguiar às 16h19

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    PERFIL

    Jos�lia Aguiar Josélia Aguiar é jornalista, especializada na cobertura de livros. Assina a coluna Painel das Letras, publicada aos sábados no caderno "Ilustrada".


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