"Maus", para quem não sabe, é a história da Segunda Guerra contada pelo quadrinista Art Spiegelman. "Maus II", a segunda parte, saiu cinco anos depois. Com a obra, o sueco radicado nos EUA levou um Pulitzer, prêmio inédito para os comics.
Não se trata apenas de um grande álbum de quadrinhos, mas de um grande livro de não ficção sobre o Holocausto. A obra tem teor autobiográfico __seus pais eram sobreviventes do campo de extermínio de Auschwitz
"MetaMaus" é o making of de sua obra, 25 anos depois. Depois de muita espera, o álbum, acompanhado de DVD, já começou a ser vendido (na Amazon, custa US$ 21,06, sem incluir despesas de envio)
Vá por aqui para ler sobre o álbum no "Los Angeles Times". De lá, peguei trailer abaixo _que tem linda trilha de Erik Satie, um dos meus compositores preferidos.
Inédito em livro no Brasil, Tomas Tranströmer teve haicais traduzidos por Marta Manhães de Andrade na revista "Poesia Sempre", da Fundação Biblioteca Nacional.
Saíram na edição 25, dedicada à Suécia.
Os fios elétricos estendidos por onde o frio reina Ao norte de toda música.
O sol branco treina correndo solitário para a montanha azul da morte.
Temos que viver com a relva pequena e o riso dos porões
Agora o sol se deita. sombras se levantam gigantescas. Logo logo tudo é sombra.
As orquídeas. Petroleiros passam deslizando. É lua cheia.
Fortalezas medievais, cidades desconhecidas, esfinges frias, arenas vazias.
As folhas cochicham: Um javali está tocando órgão. E os sinos batem.
e a noite se desloca de leste para oeste na velocidade da lua.
Duas libélulas agarradas uma na outra passam e se vão
Presença de Deus. No túnel do canto do pássaro uma porta fechada se abre.
Carvalhos e a lua. Luz e imagem de estrelas salientes. O mar gelado.
Acreditava-se que desta vez Adonis, poeta sírio, levaria enfim o Nobel de Literatura, depois da primavera árabe, o movimento iniciado no começo deste ano contra as ditaduras no mundo islâmico.
Mas a escolha da Academia Sueca foi para um autor considerado "não político", ou "menos político" (se é que isso seja de fato possível para quem quer que escreva).
Deu Tomas Tranströmer (foto acima), poeta sueco que também era visto como favorito a cada ano.
Nas primeiras horas desta quinta-feira, seu nome, já um dos cinco primeiros, passou o de Adonis e Bob Dylan, que alternavam a liderança na britânica Ladbrokes, referência em apostas.
Há mais de três décadas a Academia Sueca não concede o Nobel de Literatura a alguém nascido em seu país. A última vez, em 1974, o Nobel foi dividido por dois autores suecos: Eyvind Johnson e Harry Martinson. É também mais comum que sejam escolhidos ficcionistas, e não poetas.
Uma breve biografia: Tranströmer nasceu em Estocolmo em 1931. Começou a publicar na década de 1950. Três décadas depois, passou a ser traduzido para o inglês. Em seu país, é conhecido também por outro ofício, o de psicólogo de adolescentes e jovens infratores e dependentes químicos. Sofreu um derrame faz algum tempo e, por isso, tem hoje alguma dificuldade para falar.
Por aqui, você chega a uma análise da poesia de Tranströmer
Essa senhorinha aí em cima é Julia Child num programa de TV nos EUA na década de 1960.
Ela era uma americana que se mudou para Paris acompanhando o marido diplomata. Não sabia cozinhar nada e lá se matriculou na escola de chefs Le Cordon Bleu.
De volta ao seu país, virou estrela ensinando às americanas as receitas dos cozinheiros franceses. Enfim, uma precursora do Jamie Oliver _e da Palmirinha!
Há pouco tempo, sua história chegou às telas. "Julie & Julia", de 2009, teve direção de Nora Ephron, famosa por suas comédias românticas.
Procurei o que havia dela nas livrarias depois de ver o filme. Não encontrei seus livros de receitas (por favor, me corrijam se estiver enganada), mas sua autobiografia, "Minha Vida na França", que saiu pela editora Seoman mais ou menos na mesma época.
Esse preâmbulo todo é para dizer que li agora no "New York Times" (aqui, em inglês) sobre o lançamento da versão digital de uma de suas obras mais famosas, "Mastering the Art of French Cooking" (capa lá em cima).
A questão, que conduz o texto do "NYT" e o encerra, é: será que vai dar certo publicar livros de receitas nesse formato?
Obras de ficção têm sido convertidas com mais velocidade e, aparentemente, com maior aproveitamento dos leitores.
Livros de cozinha exigem formatos maiores e até um tipo de manuseio diferente.
Está à venda por US$ 4 milhões a mansão de Gore Vidal, 85, em Hollywood.
Em meio à crise, é uma das poucas notícias recentes encontradas sobre o autor que mais se dedicou a ficcionalizar a história do império americano, uma série de sete livros que começou em 1967 ao publicar "Washington DC".
Onde está um dos mais ferinos críticos do país que ele chamava jocosamente de "Estados Unidos da Amnésia"?
Recolhido, não quer dar entrevista, respondeu sua agente literária ao ser procurada por esta coluna.
A nota e a caricatura, de Siqueira, foi publicada na "Painel das Letras" que sai aos sábados na Ilustrada (aqui, se assinante do UOL ou da Folha).
Tomada de melancolia (o que é bastante comum), deixo aqui link da entrevista que fiz há uma década com Gore Vidal quando era correspondente da Folha em Londres (descobri que o link está aberto): "A história americana (que não ensinam na escola)". Eu o peguei de surpresa na livraria; ele não queria dar entrevista, e no fim disse coisas ótimas.
Leio no Guardian (aqui, em inglês) que os palpiteiros resolveram acreditar em Bob Dylan: em menos de 24 horas, ele subiu vertiginosamente no ranking dos candidatos ao Nobel de Literatura, agora com 10/1, antes com 100/1, no site Ladbrokes, referência em apostas de todo tipo.
O poeta sírio Adonis continua, porém, em primeiro lugar (post abaixo), com 4/1. Na lista de apostas, o primeiro brasileiro é Ferreira Gullar, com 50/1, como avisou o leitor V nos comentários abaixo.
As apostas mudam e surpresas costumam aparecer poucas horas antes do anúncio, que sai nesta quinta, 6. Vá por aqui para ver.
Para lembrar: Leonard Cohen levou este ano o Prêmio Príncipe de Astúrias (este post).
Existem os suspeitos de sempre: eterno favorito, Adonis (foto acima) lidera a votação dos palpiteiros.
O poeta sírio está agora em primeiro lugar no site de apostas Ladbrokes, que serve de maior termômetro (vá por aqui) para as preferências. O anúncio ocorre nesta quinta, 6 de outubro.
Entre os favoritos, há nomes mais traduzidos por aqui: o romancista japonês Haruki Murakami (terceiro), os americanos sempre cotados Thomas Pynchon (sétimo) e Philip Roth (décimo-segundo), seguido por Cormac McCarthy (décimo-terceiro), também americano, que tem merecido cada vez maior reconhecimento nos últimos anos.
Deve-se lembrar que Mario Vargas Llosa não estava entre os primeiros colocados no Ladbrokes até o dia do anúncio, ano passado. Horas antes, o escritor peruano apareceu de repente, o que fez surgir a suspeita de que o resultado vazara.
Lobo Antunes é o que costuma ser mais alvo de apostas entre os de língua portuguesa. Está agora em 17o lugar.
A minha amiga Tina Vieira, portuguesa-brasileira que vive hoje em Vigo, me lembrou outro dia que estávamos em Frankfurt, onde ocorre a maior feira de livros do mundo, quando o Nobel foi anunciado para José Saramago, em 1998.
Não me lembrava; depois que ela me lembrou, me veio a sua imagem exultante. Acho que naquele dia a senhorita ufanista não dormiu, ocupando o juízo com a lembrança das páginas lidas do ilustre morador de Lanzarote.
Os brasileiros já perdemos boas oportunidades --Drummond e João Cabral se foram. Para os críticos de prêmios em geral, particularmente do Nobel, assim foi melhor.
Para você, quem devia levar o Nobel? Algum brasileiro?
Roberto Saduba conta histórias com livros tridimensionais, os pop-up books.
Sua técnica é da velha guarda --não faz esboço do que vai criar, muito menos usa computador em suas pesquisas-- e envolve várias disciplinas, como engenharia, desenho e escrita, como explica o "Wall Street Journal" (aqui, em inglês)
"É como fazer truque de mágica", define Saduba, que lançou 33 pop-up books nos últimos 15 anos. Como esse aqui, sua adaptação de Peter Pan:
Para quem gosta de belezas: com suas obras de motivos florais, o artista belga Pierre-Joseph Redouté (1759-1840) era um dos favoritos da corte francesa pré-revolução.
Vá por aqui para visitar o ótimo blog BibliOdyssey, em que se encontra breve perfil de Redouté e de onde pesquei algumas de suas ilustrações, abaixo.
A sexta edição da Balada Literária, em São Paulo, tem data e vários nomes confirmados: será de 16 a 20 de novembro, com um dia a mais desta vez.
A nota impressa saiu curtinha e listou poucos nomes. Tem mais gente: entre outros, Alessandro Buzzo, André Vallias, Daniel Galera, Glauco Mattoso, Laerte, João Gilberto Noll e Edwin Williamson, biógrafo de Borges.
Disse na coluna impressa que Arrigo Barnabé, Jorge Mautner e Tom Zé fariam shows. Uma correção: eles participam de mesas . Quem faz o show de abertura, no Sesc Pinheiros, no dia 16, é Adriana Calcanhotto e Cid Campos. Augusto de Campos, autor homenageado, também participa.
Vá por aqui baladaliteraria.zip.net para ver a programação já confirmada e acompanhar as próximas notícias.
O evento, aberto a todos, é gratuito. Acontece porque tem “capital afetivo”, como explica Marcelino Freire, seu idealizador. Que faz graça:”Enquanto outros eventos são feitos com um milhão, o meu é feito - mais uma vez - com humilhação".
No post abaixo, você vê a estante afetiva de Marcelino Freire.
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