Painel das Letras

por Josélia Aguiar

 

Livro digital ainda não pegou entre leitores europeus

 

Esta noite assisti a outra "leitura e entrevista", desta vez com Umberto Eco, no mesmo Schauspiel Frankfurt de ontem, com Vargas Llosa. E no fim ainda tive uma conversa ótima de duas horas com uma especialista em poesia persa: em breve aqui.

Reproduzo abaixo materinha que saiu na Ilustrada de hoje.

***

Livro digital não pegou entre leitores europeus

Nos EUA, e-books representam quase 20% das vendas. Na Europa, o ritmo é muito mais lento. O percentual, de tão ínfimo, não chega a 0,5% na França, onde os leitores parecem mais relutantes. Na Alemanha, está entre 1% e 2%.  Espanha e Itália se abrem mais que os vizinhos franceses, embora o cenário seja inferior ao alemão. A exceção é a Inglaterra, com 10%.

Não houve discordância: o livro digital ainda não pegou na Europa, avaliaram executivos do mercado editorial que participam de debates na Feira do Livro de Frankfurt, a maior do mundo, que começou na quarta e acaba amanhã.

“O temor de que o digital canibalize o impresso deixa editores paralisados”, afirmou Riccardo Cavellero, à frente do grupo editorial italiano Mondadori. “Os preços ainda altos de e-books, só 10% mais baratos que os impressos, ainda travam as vendas”, lembrou Michael Justus, diretor-executivo da alemã Fischer Verlag. 

Outro consenso entre os executivos: o mercado digital só deve engrenar quando redes de varejo de livros europeias investirem nos próprios aparelhos, como fez a Amazon nos EUA, com repercussão na Inglaterra. 

Não é outra razão, portanto, que dois assuntos bastante comentados em Frankfurt foram os anúncios quase simultâneos, nos últimos dias, de investidas feitas no mercado da França pela Amazon e Kobo, sua concorrente canadense com reader próprio.

A Kobo acaba de fazer uma parceria com a Fnac, maior rede francesa de varejo de livros.  A Amazon, que já tinha loja virtual em francês, oferece agora o Kindle, aparelho que é vendido na Alemanha desde o começo deste ano. Seu Kindle deve chegar à Itália ainda este ano, e na Espanha em 2012, diz-se nos bastidores.

Vale lembrar: tanto Amazon quanto Kobo já começaram a desenhar sua estratégia no Brasil, onde o mercado de e-books é semelhante ao da França – não chega a 1%.


APPS

Se o mercado de e-books não acelerou, o de "apps", aplicativos para tablets, como o iPad, é praticamente experimental: esse foi outro tema presente em Frankfurt.
Existem, é claro, iniciativas a louvar. Uma das mais comentadas é a edição turbinad para iPad de “A Terra Desolada”, do poeta T.S. Eliot, lançada há quatro meses pela Faber & Faber, tradicional no mercado de livros, e a Touchpress, nova empresa de mídia. 

Na feira alemã, discutiu-se outro produto bem sucedido: a série de filmes-livros que a Canongate, editora escocesa conhecida por seu arrojo editorial, começa a lançar em parceria com a Ridley Scott Associates _Ridley Scott, o mesmo de “Blade Runner”.

Esses são, porém, ainda poucos exemplos de livros digitais encorpados com áudio e vídeo que, se não levaram editoras a recuperar o investimento, ao menos serviram como cases elogiados.

Executivos europeus dizem que, até agora, muito se gastou e pouco se arrecadou. Pior: com a urgência de entrar no meio digital, houve quem fizesse a baixo custo produtos de qualidade inferior, só para ser multimídia. Entre um debate e outro, houve quem lembrasse que o app de maior sucesso é o dos “Angry Birds”, um jogo, e não uma narrativa.

Não quer dizer que em Frankfurt não se tratou do futuro digital do livro. Conferências, debates e encontros giraram em torno de assuntos como “gameficação” das obras, transmídia, “hybrid books”, livros em nuvens, leitura compartilhada, metadata, narrativas do futuro. Um dia a coisa pode deslanchar.

 

Escrito por Josélia Aguiar às 19h21

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Vargas Llosa: "o apetite pelo poder cria monstros"

“Por que você não fez uma biografia?”, lhe perguntou um dos mediadores. “Ora, porque sou um escritor, e não um historiador”, respondeu Mario Vargas Llosa, provocando risos na plateia do Schauspiel Frankfurt na noite desta sexta-feira, 14.

Foi um dos poucos momentos em que o público fez barulho. O estado de silêncio concentrado quase não se alterou entre as cerca de 800 pessoas durante as duas horas do evento em que assistiram às leituras da obra mais recente, “O Sonho do Celta”, feitas em espanhol por Llosa e em alemão por um ator, e à conversa do peruano com dois mediadores.

A pergunta surgiu depois que Llosa contou como descobriu seu personagem, que é real, o aventureiro e poeta irlandês Roger Casement; e repassou as pesquisas em arquivos e bibliografias e as muitas entrevistas que fez, da Amazônia ao Congo, até concluir o livro. “Gosto da liberdade que a ficção permite para introduzir, alterar, retirar personagens e cenas”, explicou.

Llosa disse que nunca pensou que escreveria uma história que transcorre fora do Peru, “não por nacionalismo, mas porque era o que mais conhecia”, até encontrar um “livro extraordinário”: “Os Sertões”, de Euclides da Cunha. Após a leitura, que “modificou sua vida”, decidiu escrever seu próprio relato sobre Canudos, “A Guerra do Fim do Mundo” (1981).

Um dos mediadores o interrompeu para pedir que anotasse num papel o nome do livro e do autor. “Leiam Euclides se quiserem entender a América Latina”, recomendou Llosa.

Em "O Sonho do Celta", Roger Casement compreende no Congo que “a aventura colonialista não levou ao bem estar, mas a grandes atrocidades”, afirmou Llosa. É quando produz o “Casement Report”, em que denuncia o regime brutal às autoridades inglesas. É o texto que leva Joseph Conrad (1902) a fazer "O Coração das Trevas", que era, para Jorge Luis Borges, "o mais "impressionante" relato de todos os tempos.

Para Llosa, Leopoldo II, da Bélgica, que ganhou de presente o Congo numa Assembleia em Berlim em 1895  --“onde não havia um africano”, enfatizou -- é o primeiro grande genocida do século 20. “Admiro-me das estátuas e monumentos em sua honra.”

Para Llosa, o desejo de um mundo mais perfeito é o motor da humanidade; a literatura está na vanguarda, sem ela a sociedade seria mais estática e conformista.  “O apetite pelo poder cria monstros, o apetite pela beleza, seja um romance, uma pintura ou uma sinfonia, desperta sensibilidades para o mundo e a condição humana.”


Vá por aqui, no blog Paisagens da Crítica, de Julio Pimentel Pinto, para ler mais sobre as relações entre literatura e história em "O Sonho do Celta".

Escrito por Josélia Aguiar às 07h40

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O fascínio por mentiras de Umberto Eco


Um senhor erudito e vetusto, visitante da Feira do Livro de Frankfurt no fim da manhã desta sexta-feira, fez mais sucesso que Charlotte Roche, a moça  à frente das listas de mais vendidos alemães que compareceu ao evento na véspera.

O italiano Umberto Eco, 79, que lança agora "O Cemitério de Praga",  teve quase quatro vezes mais gente na plateia e na fila de autógrafos do Sofá Azul, série de conversas com escritores que ocorre durante o evento.

O novo romance de Eco se baseia numa história real de fraude: o "Protocolo dos Sábios de Sião",  documento de um suposto complô dos judeus para dominar o mundo que, mesmo após se comprovar, décadas atrás, de que se trata de uma falsificação, continua a ser traduzido como se fosse verdadeiro.

A popularidade do italiano é mesmo alta: a toda-sorrisos Charlotte Roche, 33, britânica radicada na Alemanha, acaba de publicar seu novo e segundo livro “Schlossbete” –segundo os críticos, tão pornográfico quanto o de estreia, que no Brasil tem o título de "Zonas Úmidas" (Objetiva).

No Sofá Azul, Eco explicou que tem fascínio por histórias que envolvem mentiras, intrigas e estupidez. "A mentira é algo profundamente humano. Animais, como o camaleão, podem até se camuflar. Mas só o homem pode mentir deliberadamente", argumentou.

Tanto quanto a mentira, a estupidez humana também o deixa admirado, pois, segundo afirmou Eco, "a inteligência é algo banal".

Faz três décadas que o semiólogo italiano começou a escrever ficção --"O Nome da Rosa", seu policial medieval, se tornou best-seller na década de 1980.

Eco afirmou que é contra o politicamente correto na literatura. "Quasímodo não teria sido inventado", explicou, referindo-se ao personagem clássico de "O Corcunda de Notre Dame", de Victor Hugo.

**Meu aparelhinho para fotografar continua com avarias; agradeço a imagem a Maria Fernanda Rodrigues, que a fez para o "Publishnews".

Escrito por Josélia Aguiar às 13h22

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Exportar a ficção brasileira: a missão

Disse aqui num post de dois dias atrás que o catálogo da Feira do Livro de Frankfurt tem mais de 3 mil eventos.

O que são esses eventos? Vou tratar melhor disso depois**.

Por ora, quero contar que é grande a quantidade de encontros e balanços de programas de tradução promovidos por Armênia, República Tcheca, Rússia, países de língua espanhola em conjunto. A própria Alemanha é uma das que mais se destacam apoiando financeiramente a tradução de seus autores, Portugal faz o mesmo há algum tempo.

A missão brasileira que veio a Frankfurt apresentou esta tarde seu programa para ampliar a inserção internacional da nossa literatura. Na plateia, havia de tradutores alemães a editor iraniano e agente literária holandesa.

Duas das ações, sete ao todo, já eram conhecidas: o novo programa de bolsas de tradução anunciado na última Festa Literária de Paraty, em julho, e a promoção de seminários internacionais sobre o tema, como o realizado na Bienal do Rio, em setembro. 

Outras cinco, algumas que já ocorrem de modo assistemático ou menos frequente, devem ser implementadas a partir de 2012: tours de autores brasileiros para eventos no exterior; apoio a tradutores estrangeiros que desejem pesquisar em temporadas no Brasil; programa específico para incentivar a edição de brasileiros em países lusófonos; maior participação brasileira em feiras internacionais; publicação de uma nova revista trimestral, em espanhol e inglês, com edições anuais num terceiro idioma.

O Brasil demorou? “Acho que estamos fazendo na hora certa”, disse Galeno Amorim, presidente da Fundação Biblioteca Nacional. “Só agora estamos crescendo, e o clima internacional ajuda, o Brasil é a bola da vez”, concordou Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro. 


Amorim e Pansa dizem que ainda é cedo para divulgar números de traduções e edições que devem se beneficiar dos programas. Parte ainda está sendo negociada.

Além da CBL e da Fundação Biblioteca Nacional, participam do esforço para internacionalizar a literatura brasileira os Ministérios da Cultura, do Desenvolvimento, do Turismo, o Itamaraty, universidades e organizações do terceiro setor.

Sobre a tradução de brasileiros no exerior, vou escrever mais coisas aqui.


**“Aconteceu um sinistro”, como diz meu irmão, e perdi dois dias de imagens feitas em Frankfurt.  Só não estou pior porque estou catatônica.  Posts que ia publicar hoje vão ter de esperar até amanhã, quando voltarei à feira, e então poderei registrar ao menos aquilo sobre o que já escrevi e quero publicar aqui. 

 

Escrito por Josélia Aguiar às 16h47

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A Feira do Livro de Frankfurt é grande, mas de que tamanho?

Há dias procuro um número prosaico -- os metros quadrados da Feira do Livro de Frankfurt. Não vi em nenhum dos materiais institucionais, mas em sites e publicações não-oficiais, então preferi continuar procurando.

Um colega me perguntou: é do tamanho da Bienal do Rio, no Rio Centro?

Até pode ter a mesma extensão, mas não se pode comparar os dois eventos, em hipótese alguma.

Um dado extra: a feira alemã fica no centro da cidade, dá para ir andando da estação central de trem, dá para ir andando do hotel onde estou. Quinze, vinte minutos no máximo.

Foi aí que encontrei agora cedo esse ótimo vídeo da "Publishing Perspectives" (aqui, em inglês): a repórter- visitante caminha da entrada até o pavilhão oito, onde estão os editores britânicos. As imagens foram feitas antes de a feira abrir, que fique claro.

Prometo pôr depois o mapa do conjunto de edifícios, para que tenha ideia ainda melhor do tamanho da coisa.

" target=_blank>UOL Busca

 

Escrito por Josélia Aguiar às 06h13

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Quem dá mais?

 

 

Mudou nos últimos anos, concordam editores brasileiros e do exterior. A disputa hoje é mais pulverizada, não se concentra tanto em tão poucos títulos.

Mas ainda é um pouco assim: a cada feira, surge um candidato a mega seller –vende internacionalmente muito mais que um simples best seller--disputado entre burburinhos, blefes e boatos, em leilões de altas cifras. É quando as feiras de livros mais se parecem com Bolsas de Valores.
 
Uma nova trilogia sueca é o candidato a mega seller da vez na Feira do Livro de Frankfurt, que começou hoje e vai até o domingo, 16. Seu título é “The Andalucian Friend” (o amigo andaluz). 

O mais curioso para os leitores não acostumados a feiras como essa é algo corriqueiro para os executivos que as frequentam: a primeira parte da trilogia só será publicada em maio do ano que vem. Ou seja, o que se negociam são os direitos de publicação de uma obra que ainda está sendo escrita.

E não é só. Trata-se de um livro de estreia. Alexander Soderbergh, seu autor, é conhecido em seu país por roteiros de cinema. O teor “cinematográfico” é, aliás, um dos adjetivos usados no material de divulgação. "Ação explosiva" é outra característica que os folders ressaltam.

Quem representa Soderbergh é a Agência Salmonsson, a mesma do compositor e escritor norueguês Jo Nesbo, bem vendido em vários países. No Brasil, seu "Doutor Proktor - O Pó de Soltar Pum" saiu pela WMF Martins Fontes.

“The Andalucian Friend” só ia começar a ser negociado na Feira do Livro de Londres, daqui a seis meses. Ante a procura, porém, dizem seus agentes, foi necessário fazer às pressas uma tradução para o inglês de suas primeiras cem páginas.  A trilogia, que já está comprada na Suécia, tem negociações avançadas com editores na Alemanha e na Itália.

Até o fim da Feira de Frankfurt, quem dá mais?

A sequência de imagens acima mostra o grande salão dos agentes literários e scouts em Frankfurt; é onde se encontram com editores, quase sempre com hora marcada

Escrito por Josélia Aguiar às 15h58

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Um prêmio anti-Man Booker Prize

 

Não foi o espaço de debates futurista patrocinado pela Audi, nem o pavilhão da homenageada Islândia que, a portas fechadas e no escurinho, lembrava um bar noturno.

O assunto que provocou a maior parte das conversas escutadas hoje, primeiro dia da Feira do Livro de Frankfurt, foi o anúncio de um novo prêmio literário britânico, chamado de Literature Prize, para distinguir a “excelência literária”.

O Literature Prize surge como reação ao que seus criadores veem como tendência comercial do Man Booker Prize, o mais prestigiado no Reino Unido.

O quarentão Man Booker Prize tem sido criticado nos últimos anos por eleger livros considerados mais fáceis para o grande público, em detrimento daqueles que, mais artísticos ou complexos, se tornam menos comerciais.

Mas o estopim foi o comunicado que acompanhou o anúncio oficial da lista de finalistas do Man Booker Prize deste ano. Nele o júri justificou as escolhas elogiando a capacidade dos livros de “entreter” e “agradar” o leitor.

“Grandes livros não devem ser elogiados por entreter, mas por nos fazer pensar”, explicou Andrew Kidd, porta-voz do grupo que criou o novo prêmio. Kidd é um editor britânico de longa data. Está hoje na agência literária Aitken Alexander. Entre os que apoiam por escrito o novo prêmio, há até vencedors do Man Booker Prize, como John Banville e Pat Barker.

 O vencedor do Man Booker Prize deste ano sai na próxima terça-feira, 18 de outubro. O favorito é Julian Barnes, 65 anos, com "The Sense of An Ending". Barnes foi finalista em três outras edições -- com "O Papagaio de Flaubert" (1984), "Inglaterra, Inglaterra" (1998) e "Arthur & George" (2005).

 

 

 

 

 

 


Escrito por Josélia Aguiar às 15h52

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Um lugar chamado Ausgang

A tarde me levou até o conjunto de edifícios que sedia a Feira do Livro de Frankfurt. Era preciso pegar minha credencial e o kit de imprensa, que tem de mapa a catálogo com todos os participantes.

“Vai dar tempo?”, perguntei a um dos carregadores, quando vi tanta coisa ainda por fazer. A abertura é amanhã, 12 de outubro.

“Sim, a eficiência alemã garante”, ele me disse, em inglês. Teve gente que me respondeu em espanhol, italiano e até, veja só, em português.


Parece que falam todos os idiomas os funcionários da maior feira do livro do mundo, realizada desde 1949.
A diversidade se justifica: cerca de 300 mil visitantes de 110 países vão passar por lá até o domingo, dia 16.

A maioria: executivos de editoras, agências literárias e empresas do ramo editorial. Entre apresentações de livros e conferências de experts de diversos campos, há mais de 3 mil eventos previstos para os cinco dias.  No fim-de-semana, o evento também é aberto ao público.

Feiras como a Expo America, nos EUA, e a de Tóquio, a maior da Ásia, também são grandes em quantidade de gente e volume negociado.

Mas talvez nenhuma outra seja tão multicultural quando a alemã.

 

Os bastidores estão abaixo, em imagens que fiz com essa minha técnica patafísica de fotografar.


 

 

 

 

 

 

 

É tão grande, com tantas portas indo e trazendo visitantes para lugares cobertos e ao ar livre, que me lembrei de recomendar: não sei a quantas anda seu alemão, leitor, mas é bom saber que há sempre um lugar providencial para seguir quando se perder sem um mapa na mão.

 

 

 "Ausgang" (saída).

 

Repare bem os salões vazios.

Nada será como antes amanhã.

Escrito por Josélia Aguiar às 17h23

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Não é em Hanover? Não, em Frankfurt

 

--Não é em Hanover? Porque é lá que ocorrem as feiras.

 

O senhor sentado ao meu lado no voo da Lufthansa estava intrigado.  Achou que eu me enganei de destino.

 

Como é que existe uma feira de livros, maior do mundo, em Frankfurt?

 

Leitores podem não saber disso, mas o povo das editoras sabe bem do que se trata.

Cinco dias, sempre em outubro: três de negócios, dois abertos ao público. São 7.300 expositores; 300 mil visitantes. Gente de cem países. No calendário oficial, há mais de 3 mil eventos.

A Feira do Livro de Frankfurt tem tradição há cinco séculos.  Diz a história que os seus promotores gostam de contar: o evento remonta aos tempos de Gutenberg, que a poucos quilômetros daqui inventou a moderna indústria do livro ao comerçar a usar a prensa de tipos moveis.

Em certos períodos, Frankfurt teve sua importância ofuscada --a de Leipzig chegou a ultrapassá-la certa vez--, revés superado.

Oficialmente, o evento começa só na quarta, dia 12.  Um dia antes, porém, ou seja, amanhã, já há uma grande programação sobre livro digital __como ocorreu este ano em Bolonha, a maior de livros infantojuvenis, e na de Londres, “segunda” maior da Europa (esses títulos são sempre relativos).

A maioria dos editores chega dias antes, para conversas com agentes literários. Conversei hoje com editores brasileiros que já compraram direitos de livros aqui. Na semana passada.

Escrito por Josélia Aguiar às 17h02

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Grande Gatsby, o game: é isto um livro?

"O Grande Gatsby" não é só um dos grandes clássicos americanos. É agora um game que, depois de fazer sucesso na internet, será estudo de caso na semana que vem, quando começar a Feira do Livro de Frankfurt, a maior do mundo. A adaptação da obra de F. Scott Fitzgerald foi lançada neste ano por Peter Smith, editor da revista on-line de cultura pop nerve.com, e Charlie Hoey, desenvolvedor para web. Smith e Hoey argumentam que o game torna o livro de Fitzgerald mais conhecido; o escolheram, porém, porque o título já é popular nos EUA. É desses que se leem no tempo de escola.

// A tal da "gameficação"

Fazer games a partir de clássicos ajuda a formar leitores? Sim, diz Gabe Zichermann, autor de blog e livros sobre o tema que também vai falar em Frankfurt.
Zichermann argumenta: hoje, quando querem se divertir, crianças e adolescentes nos EUA escolhem os games, e não filmes, música e livros.
Não só livros de ficção podem virar games, explica Zichermann, que defende a "gameficação" de obras de várias áreas. Leitores e formadores de leitores, se preparem: o debate acabou de começar.

***

As duas notas acima estão na "Painel das Letras" deste sábado (aqui, na íntegra, se assinante da Folha ou do UOL).

Por aqui, você chega até o game do "Grande Gatsby".

Embarco hoje para Frankfurt. Vou contar aqui o que vir por lá, durante toda semana.

 

 

Escrito por Josélia Aguiar às 11h50

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Jos�lia Aguiar Josélia Aguiar é jornalista, especializada na cobertura de livros. Assina a coluna Painel das Letras, publicada aos sábados no caderno "Ilustrada".


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