Painel das Letras

por Josélia Aguiar

 

"Não entendo o Natal", disse Charlie Brown

"Eu simplesmente não entendo o Natal -- disse Charlie Brown. -- No fim acabo sempre deprimido.
A Lucy tem razão --respondeu Linus --Entre tantos Charlie Browns que existem no mundo, você é o mais Charlie Brown de todos."

 

O diálogo, editado, está em "O Natal de Charlie Brown", edição da L&PM.

Fui procurar histórias de Natal da turma do Charlie Brown no youtube e adorei isso aqui:

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Escrito por Josélia Aguiar às 12h57

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Um poema: Jules Supervielle

E agora, também a tempo do Natal, deixo a tradução que Drummond fez para esse lindíssimo poema de Jules Supervielle. Está no volume "Poesia Traduzida", da Cosac Naify, que reúne versos trazidos para o português pelo nosso poeta.

 

Rostos

 

Baralho a contragosto

Como cartas os rostos,

E todos me são caros.

Às vezes algum tomba,

Inútil procurá-lo.

Desaparece a carta.

Nada sei a respeito.

Entretanto era um rosto

Que eu amava, e tão belo.

Baralho as outras cartas.

O inquieto do meu quarto,

Ou seja, o coração,

A arder continua,

Não já por essa carta,

Por outra em seu lugar.

É um novo semblante.

E o baralho, completo,

Mas sempre desfalcado.

Eis tudo quanto sei,

E ninguém sabe mais.

 

Figures

 

Je bats comme des cartes

Malgré moi des visages,

Et, tous, ils me sont chers.

Parfois l´un tombe à terre

Et j´ai beau le chercher

La carte a disparu.

Je n´en sais rien de plus.

C´était un beau visage

Pourtant, que j´aimais bien.

Je bats les autres cartes.

L´inquiet de ma chambre,

Je veux dire mon coeur,

Continue à brûler

Mais non pour cette carte,

Qu´une autre a remplacée:

C´est un nouveau visage,

Le jeu reste complet

Mais toujours mutilé.

C´est tout ce que je sais,

Nul n`en sait davantage.

 

Leia poemas de Joan BrossaJorge Luis BorgesHeinrich HeineNicolás GuillénFerreira GullarSaint-John Perse, Emily Dickinson, Elizabeth Bishop, Rainer Maria Rilke, Tomas Tranströmer, Lúcio Cardoso e Wislawa Szymborska.

Vá por aqui para ler um pouquinho das greguerias de Ramón Gómez de La Serna.

 

Escrito por Josélia Aguiar às 10h32

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Um poema: Wislawa Szymborska

A seção "Um Poema" também está de volta --ufa!-- depois de demorados dois meses de quiproquós técnicos aqui no blog. A tempo do Natal.

Primeiro, publico um poema da polonesa Wislawa Szymborska, Nobel de Literatura em 1996. Uma antologia sua, com tradução de Regina Przybycien, saiu há pouco pela Companhia das Letras.

 

Retornos

 

Voltou. Não disse nada.

Mas estava claro que teve algum desgosto.

Deitou-se vestido.

Cobriu a cabeça com o cobertor.

Encolheu as pernas.

Tem uns quarenta anos, mas não agora.

Existe --mas só como na barriga da mãe

na escuridão protetora, debaixo de sete peles.

Amanhã fará uma palestra sobre a homeostase

na cosmonáutica metagaláctica.

Por ora dorme, todo enroscado.

 

Leia poemas de Joan BrossaJorge Luis BorgesHeinrich HeineNicolás GuillénFerreira GullarSaint-John Perse, Emily Dickinson, Elizabeth Bishop, Rainer Maria Rilke, Tomas Tranströmer, Lúcio Cardoso.

Vá por aqui para ler um pouquinho das greguerias de Ramón Gómez de La Serna.

Escrito por Josélia Aguiar às 21h56

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Os dez mais, por Luiz Ruffato

As estantes afetivas estão de volta. A desta tarde é de Luiz Ruffato, que listou as dez obras que considera as mais importantes em sua formação, não exatamente as de que mais gostou.

Ruffato nasceu no interior mineiro em 1961. A cidade é Cataguases, cenário de muitas das histórias que conta. Era jornalista em São Paulo até se dedicar exclusivamente à literatura. Uma década atrás, com “Eles Eram Muitos Cavalos”, venceu o prêmio da Fundação Biblioteca Nacional. Desde 2005, publica a série  Inferno Provisório, que apresenta a cartografia do proletário e da (sobre) vida que leva. O quinto e último volume saiu este ano, “Domingos Sem Deus”.

 

 

"Memórias Póstumas de Brás Cubas" - Machado de Assis

"Formação da Literatura Brasileira" - Antônio Cândido

"Contos" - Luigi Pirandello

"Contos" - Anton Tchekov

"As Ilusões Perdidas" - Honoré de Balzac

"As Flores do Mal" - Charles Baudelaire

"O Som e a Fúria" - William Faulkner

"Lições de Filosofia da História Universal" - Friedrich Hegel

"Crítica da Razão Prática" - Immanuel Kant

Bíblia

 

 

Publiquei as estantes afetivas de Cristovão Tezza,  Thiago de MelloMilton HatoumFrancisco AlvimMoacyr Scliar, Michel LaubCarola SaavedraDaniel GaleraRicardo LísiasJoca TerronAndré Sant´AnnaAntonio PrataRonaldo Correia de Brito, Paulo Henriques Britto, Marcelino Freire, João Almino, José Castello e Raimundo Carrero.

Escrito por Josélia Aguiar às 14h23

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A máquina de poemas de Raymond Queneau

Meio século atrás, Raymond Queneau publicou um livro de leitura impossível.

Na obra, reuniu dez sonetos de versos combináveis, que formam rimas entre si. As tantas variações podem produzir até "cem mil milhões de poemas" (ou cem bilhões), como promete o título em francês, "Cent mille milliards de poèmes".  Consta que um matemático o ajudou na empreitada, antes que ficasse completamente doido.

Ao sair, em 1961, o livro-jogo inaugurou o que se chamaria Oulipo, sigla que, em português, pode ser traduzida como Oficina de Literatura Potencial.

Por que é impossível ler a obra? Porque, pelo que entendi dos cálculos feitos, o leitor teria de gastar quase 200 milhões de anos ocupando oito horas do dia com as combinações possíveis. Quer dizer, o livro pode até ser lido, mas não totalmente.

Esta é a capa da edição mais recente da Gallimard, que vi por 34,20 euros na Amazon francesa (vá por aqui, se quiser encomendar para ferver os miolos nas férias).

A notícia nova, que li no sábado no suplemento literário "Babelia", do El País (vá por aqui, em espanhol), é que um grupo de dez autores de língua espanhola fez uma obra similar, em homenagem à de Queneau, agora em seu meio século.

Esta é a capa do livro, a "máquina de fazer poemas", como diz o "Babelia", publicado pela Demipage, de Madri, ao preço de 25 euros (vá por aqui).

 

 

Por este vídeo, você vê como as páginas são folheadas __cada verso ocupa uma lingueta, uma página-mãozinha o ajuda na separação dos versos.

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 De Queneau, você compra nas livrarias uma edição brasileira de "Zazie no Metrô", seu romance galhofeiro, numa edição recente da Cosac Naify (vá por aqui)

Escrito por Josélia Aguiar às 12h40

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As pinturas de Elizabeth Bishop

 Elizabeth Bishop queria ter sido pintora, e não poeta (exagero retórico, talvez).

Uma exposição na Tibor de Nagy Gallery, em Nova York, apresenta suas obras, pequenas e repletas de detalhes, ao fim deste ano em que se celebra seu centenário de nascimento.

Li a notícia no blog "Prospero", da "Economist".

Vá por aqui para visitar o site da galeria.

 

Escrito por Josélia Aguiar às 12h04

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Jos�lia Aguiar Josélia Aguiar é jornalista, especializada na cobertura de livros. Assina a coluna Painel das Letras, publicada aos sábados no caderno "Ilustrada".


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