Painel das Letras

por Josélia Aguiar

 

A primeira entrevista de Clarice

A notícia do dia (ou do mês!)  --ao menos para mim, que não sabia --- é que se localizou a primeira entrevista concedida por Clarice Lispector.

A descoberta é do pesquisador Vilmar Ledesma nos arquivos da "Diretrizes". A entrevista foi feita por Samuel Wainer, e Clarice era ainda mocinha, uma jovem estudante de direito.

Por aqui, você chega até o blog de Vilmar Ledesma, onde encontra dois posts sobre o assunto.

A entrevista foi incluída no volume Encontros/Clarice Lispector, da editora Azougue, que acaba de sair.

 

Escrito por Josélia Aguiar às 14h29

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Pierre Verger em dois novos livros, para crianças e especialistas

"Só acreditaria num Deus que soubesse dançar": foi do "Zaratustra", de Nietzsche, que Pierre Verger (1902-1996) emprestou a epígrafe do primeiro livro que publicou reunindo fotografias de ritos afrobrasileiros. Seu "Dieux d’Afrique", que saiu na França em 1954,  mostrava então uns deuses que dançavam.

Independentemente de ter fé ou não ter fé  --ele dizia que não--, o etnofotógrafo francês se dedicou a estudar "a África na Bahia e a Bahia na África", como dizia, porque, entre outros motivos, achava admirável que uma pessoa comum se sentisse incorporada por uma divindade, experiência que redimensionava sua vida, por mais pacata, ou até miserável, que fosse.

É conhecida a vida e a obra de Verger depois que se estabelece  no Brasil na segunda metade do século 20.  O que é menos conhecida é sua trajetória como fotógrafo-viajante pelos cinco continentes a partir da década de 1930, o que lhe permitiu acumular um assombroso acervo de mais de 62 mil negativos.

Sobre o etnofotógrafo e seu longo percurso, chegaram às livrarias há poucas semanas dois volumes especiais. Um deles é sua biografia para crianças, que sai pela Companhia das Letrinhas. É escrita por Angela Lühning, alemã radicada na Bahia, professora da UFBa na área de etnomusicologia e  pesquisadora que conviveu com Verger em seus últimos anos. As ilustrações são de Maria Eugênia.

O outro é um estudo muito competente sobre sua obra etnográfica, "Do Olhar Livre ao Conhecimento Iniciático", de Jérôme Souty. O livro, que fora publicado antes em francês, sai aqui pela Terceiro Nome, como contei na "Painel das Letras" algumas semanas atrás (aqui, se assinante do UOL ou da Folha). É o resultado da tese de Souty em antropologia social pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris.

 

A foto que abre este post foi feita no cais de Salvador em 1946. Para conhecer mais imagens, encomendar álbuns fotográficos ou saber sobre exposições, vá por aqui e chegará ao site oficial.

ATUALIZAÇÂO às 16h44 de 09/01 - Sai em breve nova edição de um livro magnífico de  Pierre Verger, "50 Anos de Fotografia", que estava esgotado fazia muito tempo. Inclui, além de fotos dos cinco continentes, um relato biográfico que tem beleza e humor; recomendo.

E me lembrei de outra epígrafe, no "Dieux d’Afrique" citado acima, em que Verger pede permissão aos mesmos deuses usando palavras em iorubá. Por via das dúvidas.

Escrito por Josélia Aguiar às 22h07

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Jos�lia Aguiar Josélia Aguiar é jornalista, especializada na cobertura de livros. Assina a coluna Painel das Letras, publicada aos sábados no caderno "Ilustrada".


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