Painel das Letras

por Josélia Aguiar

 

Poesia Incompleta: a livraria para os que têm margem para encantamento

Poesia Incompleta é a livraria portuguesa para aqueles que têm margem para o encantamento, como explica seu criador, de alcunha Changuito. Só vende poesia, como diz o nome. Já tinha lido a respeito faz um tempinho, até vi entrevista do dono no youtube. Tem para assistir.

Leio agora essa entrevista muito graciosa de Changuito no blog Tantas Páginas: ele conta como teve a ideia da livraria, por que "é incompleta" e qual é a rotina no tal empreendimento.

O link, encontrei no mural do poeta Fabio Weintraub no Facebook.

Diz Changuito em alguns dos trechos: "A poesia, creio que só suplantada pelo teatro, é o que dizem ser menos vendável, mas, que diabo, há sempre gente que se vai interessando"; "Esta livraria é um óptimo negócio: não tem dívidas a fornecedores, nem impostos em atraso. Por outro lado, é assente na mais estúpida das premissas: o senhor da limpeza, o telefonista, o livreiro, o gerente de compras, o director de conteúdos para a internet, o publicitário, o agente de ligação com a imprensa, com editoras, até com alguns membros do poder político, é o mesmo e não recebe salário; "Tive cães e gatos a que podia ter chamado kindle ou ipad, mas agora acho que já vou tarde."

 

Escrito por Josélia Aguiar às 17h04

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Três semanas e já tanta coisa

Pensei que janeiro seria um mês sem notícias, por isso escolhi essas primeiras semanas do ano para ficar fora do dia-a-dia e adiantar outro projeto.

Mas já ocorreu tanta coisa: uma triste e duas interessantes.

A triste foi a morte do Bartolomeu Campos de Queirós (1944-2012), conhecido principalmente por suas obras para o público infantil e juvenil. Dele, a Cosac Naify, que publicou "Vermelho Amargo", o de memórias da capa acima, vai lançar ainda um livro inédito. Por aqui, você chega até o perfil do autor publicado no site da editora.

As duas notícias interessantes. Uma é a vinda para o Brasil da portuguesa Tinta-da-China, editora independente que faz livros bonitos e de qualidade  _por aqui você chega até o texto de Isabel Coutinho, do "Público".

Faz nove meses que fiz de Lisboa essa reportagem aqui, dizendo que editoras portuguesas, em meio à crise europeia, planejavam ampliar sua participação no Brasil (ja aberto para não assinantes). Este ano, o grupo português Leya fechou postos em Lisboa, ao mesmo tempo em que tem ampliado os daqui, como contou o colega Fabio Victor no "Painel das Letras" (aqui, se assinante do UOL ou da Folha). Na época em que lá estive, ouvi de fontes muy fidedignas e fidalgas que, nos bastidores do Leya, sempre era aventada a hipótese de mudar a sede para cá.

A outra notícia é a saída de Luciana Vilas Boas da direção editorial do grupo Record, depois de uma década e meia. Criou uma agência literária, quando há agora um movimento articulado para exportar autores brasileiros  (post aqui) e  em que editoras internacionais entram no país  --  o episódio mais recente foi a compra de parte da Companhia das Letras pelo grupo Penguin (aqui, se assinante do UOL ou da Folha, texto que fiz para "Mercado"). Luciana é uma editora que fala com muita paixão dos livros e dos autores que representa. O meu palpite é que a decisão foi acertada.

 

 

 

 

Escrito por Josélia Aguiar às 13h52

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O deus que protege os pesquisadores

Não devia aparecer aqui este mês (expliquei neste post), mas vi uma coisa muito graciosa e tive de publicá-la.

É sobre o deus que protege aqueles que se embrenham em algum tema de devoção:

 

"Deve existir no céu um protetor dos pesquisadores em geral e dos pesquisadores de história em particular. Ignoro seu santo nome, mas posso dar testemunho público de sua generosa proteção (...). Nas investigações que venho fazendo (...), o anônimo patrono da pesquisa não me tem abandonado. De quando em vez, inesperadamente, dele recebo um régio documento, cuja existência jamais suspeitei".

 

Essas frases são do sertanista José Calasans (1915-2001), este senhor aqui, um dos pioneiros na pesquisa sobre Canudos, um dos grandes, se não o maior especialista no tema.

Um dia, ainda menina, fui conversar com professor Calasans em seu escritório. No fim, ele queria me convencer a pesquisar Canudos também. "Mas, professor, já tem tanta pesquisa sobre Canudos!", tentei argumentar. "Ah, mas ainda falta muito o que pesquisar."  E me deu uns dois ou três subtemas.  A todo mundo que ia lá, descobri depois,  ele queria incutir a mesma paixão pelo seu objeto de pesquisa.

E como este é um blog sobre livros, para não perder o hábito, aqui vão três Canudos em livros  --Canudos não só seduz pesquisadores, como também ficcionistas.

A do senhor Da Cunha

 A do senhor Márai

 

A do senhor Vargas Llosa

 

Por aqui, você vai  até o post sobre a conferência de Vargas Llosa em Frankfurt em outubro passado, quando tratou, entre outras coisas, de Canudos, Euclides da Cunha, guerras e crueldades. 

Escrito por Josélia Aguiar às 23h28

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Jos�lia Aguiar Josélia Aguiar é jornalista, especializada na cobertura de livros. Assina a coluna Painel das Letras, publicada aos sábados no caderno "Ilustrada".


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